Arte: Rede Esportiva

A dupla Bra-Pel entrou em campo pelo Gauchão. Na Serra, o Lobo perdeu para o Caxias por 2 a 0. No Vale do Taquari, em Lajeado, o Xavante perdeu para o Juventude por 1 a 0. Confesso que no aspecto técnico/tático, fui surpreendido positivamente. Esperava menos dos comandados de Ricardo Colbachini e Hemerson Maria.

O Pelotas conseguiu fazer um primeiro tempo em igualdade de condições contra o bom time do Caxias, campeão do primeiro turno e que manteve a base. Achei um time que por mais que esteja desentrosado e com defasagem física, se mostrou bastante organizado, com ideia de jogo bem clara, primando pela posse de bola, jogando aproximado e com saídas em velocidade. O que não me agradou foram as sucessivas mudanças de jogadores no posicionamento defensivo. A ideia não é ruim, mas acho temerosa ante a falta de entrosamento.

No segundo tempo, o Lobo voltou melhor que o Caxias, inclusive criando mais chances que os donos da casa. Porém, acabou sofrendo o primeiro após uma falta desnecessária de Matheus Santana, e uma indefinição de Rafael Copetti e Fábio Alemão. A partir daí, o Lobo ruiu.

Com o gol sofrido, o Pelotas ainda teve boa chance, com Ariel obrigando Pitol a fazer grande defesa, e foi só. A parte física pesou e o Pelotas parou. O segundo gol foi com o time fora do lugar, e com o lateral Marcelo levando um drible constrangedor. O 2 a 0 poderia ter sido evitado? Sim, mas não foi de todo injusto.

O Pelotas teve apenas uma atuação razoável.

Já em Lajeado, Hemerson Maria surpreendeu quando apostou em Jacone em detrimento do capitão Leandro Leite, e optar por deixar Jarro no banco para a colocação de mais um jogador de meio-campo.

Com Gegê “jogado” na ponta, faltou circulação de bola na faixa central de campo e velocidade pelos lados. O Ju abriu o placar ainda na etapa inicial, com João Paulo cobrando falta e aproveitando-se do mau posicionamento do goleiro rubro-negro, e foi melhor.

O Juventude, bastante descaracterizado em relação ao Ca-Ju da quinta passada, levou um susto logo no começo, quando Jacone quase abriu o placar para o Brasil, mas logo depois teve amplo domínio em relação ao Xavante. No segundo tempo, as coisas mudaram.

Com Jarro em campo, Gegê voltou a atuar em sua faixa de campo. O Brasil melhorou consideravelmente e começou a ter maior produção ofensiva. Automaticamente, equiparou as ações e o jogo ficou equilibrado. A melhora de um tempo para o outro foi considerável, principalmente pelo fato de Hemerson Maria ter acertado e voltado com uma das poucas coisas que vinham dando certo antes da parada, e que justamente ele acabou mexendo. Bem como seu rival, a melhora do segundo tempo surpreendeu positivamente, mas também não foi mais que uma atuação mediana.

Ainda no domingo à noite a FGF se manifestou quanto ao Bra-Pel, que ninguém sabia o que seria feito. O jogo foi marcado para a terça, às 16h, e ainda não tinha local definido, mas no começo da tarde, ele foi suspenso de novo, após liminar impetrada pelo Sindicato dos Atletas, a pedido do grupo do Brasil, pois o prazo de 66 horas entre um jogo e outro não seria respeitado.

O que esperar do caso? Nada do que não se imaginava. A falta de sedes, e agora de datas, para a realização dos jogos, é praticamente uma certidão assinada pela FGF de que a volta do Gauchão, da maneira que foi feita, foi um erro. Vejam vocês, estimados amigos, de que o segundo ou terceiro estadual mais importante do país mendiga, de maneira periclitante, a compaixão de prefeitos para que liberem suas cidades para realização dos jogos. Em um primeiro momento, a ideia era usar apenas algumas cidades da Série A (Ijuí, Erechim e até Pelotas estavam fora). E com a negativa quase total dos prefeitos, outras cidades começaram a ser aventadas.

Ponto 2: a FGF não consegue definir um local para a realização do segundo maior clássico do estado do Rio Grande do Sul. Quer trocar a data? Ok. Plenamente entendível, quando se tem uma lei que assegura essa distância entre dois jogos para os atletas. Mas já não poderia deixar uma data pré-definida? E mais: já não dava para conseguir deixar uma sede alinhavada? Acredito que sim.

A zona sul do estado é riquíssima em talentos no futebol amador. O campeonato colonial de Pelotas, o da cidade de Canguçu, de Pedro Osório ou de São Lourenço do Sul, por exemplo, não teriam tantos problemas na elaboração da tabela.

Claro que a analogia com o futebol amador foi uma brincadeira, pois vivemos dias difíceis. Mas a FGF paga pelo seu próprio erro, e, pasmem, quase tivemos um clássico que nem tinha local para ser jogado.

Será que ele ocorrerá? Há de se relevar todos os problemas que Hocsmann e sua equipe têm, mas é necessário o mínimo de respeito por um clássico do tamanho do Bra-Pel.

Quando se (re)começa errado, dificilmente não se termina errado.

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