Arte: Augusto Barros

Marcão sai da referência, arrasta o zagueiro e Milla aproveita o único espaço para infiltrar e fazer o cruzamento que deu o gol da vitória ao Pelotas.

Matheus Oliveira e Bruninho pressionam o volante na saída adversária, roubam a bola e Danilo ganha espaço para finalizar e marcar. O que os dois gols têm em comum? Treino.

As torcidas de Brasil e Pelotas comemoram neste momento devido aos padrões que os times apresentaram nas vitórias diante de Botafogo-SP e Marcílio Dias, respectivamente. Os gols não saíram ao acaso, ambos foram ensaiados antes de serem executados com perfeição.

Começamos pelo Pelotas. Colbachini colocou Milla no intervalo. A ideia do treinador áureo-cerúleo era sobrecarregar a última linha do Marinheiro por dentro, visando aproveitar os cruzamentos – seja finalizando direto para o gol, seja pegando rebote. A dupla de ataque tinha outra missão: um arrastar o zagueiro adversário e o outro atacar o espaço às costas.

Marcão e Milla ensaiaram esse movimento algumas vezes. Porém, o Marcílio jogava com as linhas muito compactas devido ao jogador expulso, e mostrava uma concentração tão alta que os defensores não perseguiam os atacantes áureo-cerúleos. O único descuido ocorreu no gol, somado à qualidade individual de Marcão. Quando Castillo encaixa no centroavante do Lobo, deixa o espaço às costas que é aproveitado por Milla.

Agora vamos até São Paulo. Aos 2 minutos o Brasil faz pressão alta na saída do Botafogo. Poveda encaixa no zagueiro direito e pressiona o goleiro. Matheus Oliveira fica no zagueiro esquerdo. Com passe vindo do goleiro, a bola entra no volante e Bruninho corre para pressionar. Danilo busca fechar o passe para o lado direito. No entanto, Bruninho demora a chegar e o volante consegue girar e tira a bola da pressão. O Pantera ataca em velocidade e leva perigo.
Aos 27 minutos do segundo tempo o Xavante pressiona novamente a saída do Botafogo. Desta vez Bruninho chega mais rápido no volante que recebe o passe do goleiro e Matheus Oliveira pressiona junto. O Brasil rouba a bola e faz o gol da vitória.

Você, torcedor, não estaria comemorando hoje se os dois times não tivessem os comportamentos assimilados, com os atletas sabendo os movimentos que deveriam fazer e acreditando nas ideias dos treinadores. Os gols de Brasil e Pelotas não foram aleatórios, pelo contrário, foram bem previsíveis, pois foram claramente treinados.

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