Arte: Rede Esportiva

O Bra-Pel nunca terá um caráter amistoso, embora os torcedores do Brasil e do Pelotas, assim como todos os amantes do futebol, preferissem que o clássico tivesse algum impacto na classificação do Campeonato Gaúcho.

Pelo lado do Pelotas, é compreensível que a chegada do Colbachini seja parte de um planejamento para o segundo semestre, como também é compreensível que a pandemia que assolou o mundo tenha interferido em todo o planejamento, mas três treinadores num campeonato tão curto e a situação de virtual rebaixado deve ser levada em conta. Embora não precise disputar a Divisão de Acesso em 2021, a cota de TV áureo-cerúlea será reduzida em 50%, e isso certamente terá um impacto na gestão do clube.

O torcedor fica com a impressão de que a conquista da Copa FGF no ano passado, embora tenha garantido um calendário cheio para 2020, deixou um parco legado técnico.

Agora trata-se de um novo planejamento, que se torna promissor, se não pelos resultados, mas por um nova identidade que se desenha no grupo de atletas e com um comando que é conhecedor deste perfil, o que facilita na medida que potencializa o pouco tempo de trabalho, pela rápida assimilação por parte dos atletas daquilo que é solicitado pela comissão técnica, bem como pelo cognitivo do grupo estar adaptado a trabalhar dentro da metodologia agora implantada. Ganhar tempo no processo de preparação de uma equipe pode significar a diferença entre uma campanha boa ou má.

Já o Brasil chega ao clássico vindo de uma vitória, resultado que tem um impacto muito positivo dentro do vestiário, visto que externamente dá tranquilidade para o prosseguimento do trabalho na medida que agrega credibilidade, enquanto que internamente fortalece o próprio discurso e as ideias de jogo. Provavelmente o Xavante atue com reservas no clássico, dando mostras que já volta todas suas atenções para a Série B nacional.

Para ambos, o Gauchão 2020 é passado.

Semifinais do turno

Uma das semifinais será marcada pela repetição de um jogo que ocorreu durante a semana. Grêmio e Novo Hamburgo desta vez duelam por uma vaga na final do turno. O time da capital levará a campo sua força máxima, pois corre o risco de ver o campeonato terminar se não vencer este primeiro cruzamento. Certamente jogará com seus principais jogadores, que receberam um descanso na última quarta.

Já o Novo Hamburgo, que subiu muito de produção desde a chegada de Márcio Nunes, no jogo de Lajeado optou por jogar defensivamente, mas se lançou ao ataque em alguns momentos quando, curiosamente, havia alteração no placar do confronto entre Juventude e Esportivo, pois se houvesse vitória do time caxiense o NH ficaria fora da final. Quando o Esportivo empatou e posteriormente passou à frente no placar, o Anilado retomou sua postura defensiva. No próximo jogo, com local ainda indefinido, não haverá confrontos paralelos e a estratégia de cada um dependerá única e exclusivamente das condições ditadas durante o confronto. A vantagem gremista se dá por usar um grupo descansado, contra um Noia que, por limitações numéricas no elenco precisará contar com os mesmo atletas, numa situação de sub-recuperação em relação ao seu oponente.

Inter e Esportivo fazem a outra semifinal. O time serrano com um trabalho consolidado desde a temporada anterior, quando obteve o acesso e acertadamente optou pela continuidade do comando técnico de Carlos Moraes, tendo como frutos o título do interior e a possibilidade de decidir um turno. Sem dúvida bater o Inter será uma tarefa difícil, mas esta formula que prevê cruzamentos decididos em apenas 90 minutos abre possibilidades reais e colocam em condições de igualdade adversários de diferentes estruturas. Já o Inter levou um pouco de azar, pois iniciou o ano apostando numa mudança de modelo de jogo, uma verdadeira ruptura em relação ao que vinha sendo apresentado pelo time até o ano passado, mas viu algumas intercorrências trazerem dificuldades ainda maiores que as habituais: primeiro a fase de pré-Libertadores, que obrigou o colorado a fazer jogos decisivos com poucos ensaios; e por fim a interrupção dos treinos, que obviamente assolou a todos mas acaba por prejudicar quem vinha buscando uma nova maneira de jogar.

Neste cenário vamos acompanhar a definição do turno e aguardar o adversário do Caxias. Uma final do interior seria bonita, embora pouco provável.

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