Uma das frases mais surradas no esporte é que “futebol não tem lógica”. Eu até aceito que nem sempre o resultado é o mais lógico, mas é a exceção à regra. Na maioria das vezes, quem se prepara melhor para vencer, em igualdade de condições técnicas e, principalmente financeiras, vence.

O futebol deve ser organizado de fora para dentro. Outra frase que se convencionou é que “o resultado de campo é que determina a evolução do clube”. Esta é uma meia verdade. O resultado respalda o planejamento, mas sem organização com metas estabelecidas e compromissos honrados, a possibilidade de crescimento continuado é muito menor.

Sem recursos e com planejamento limitado, Farroupilha volta à Terceira Divisão

Os exemplos estão sempre próximos. No ano passado, o Farroupilha iniciou o trabalho para a Terceira Divisão com critérios bem definidos e com um planejamento que foi colocado em prática. Para o tamanho do clube, a logística foi até superior à expectativa. O resultado foi o acesso. Já no segundo semestre de 2018, perdeu o rumo, não manteve o mesmo padrão de organização e, na disputa da Copinha, só colocou dinheiro fora.

Neste ano, com uma exigência técnica e financeira maior, mas sem recursos, o presidente do Farroupilha, Marcus Napoleão, encontrou muitas dificuldades para definir o rumo. Chegou a cogitar a possibilidade de não disputar a Divisão de Acesso, acertou em iniciar a competição e o resultado foi: o rebaixamento a duas rodadas do final da primeira fase e, antes disso, uma comissão técnica que não correspondeu à expectativa e que foi trocada faltando 15 dias para o começo do certame.

A situação do Tricolor é preocupante. Como a maioria dos clubes, possui muitos passivos trabalhistas, mas praticamente não tem receitas e, com isso, a tendência é só piorar.

Desafio de manter os resultados para equilibrar o clube

Num patamar bem acima, mas também preocupado com o planejamento, está o Brasil. O clube atingiu um nível inimaginável quando saiu da Segundona Gaúcha em 2013. Depois de sucessivos acessos, chegou à Série B em 2016, ainda se mantendo na competição.

Mas, com alguns equívocos na gestão e com as dificuldades estruturais do estádio que segue em reforma, o clube apresenta um déficit preocupante. Além de não conseguir honrar com os compromissos passados, já começa a se atrapalhar com os do presente.

Sem ter conseguido dar uma boa resposta no Gauchão, gerou uma expetativa de renovação drástica no elenco por parte da torcida. No entanto, com pouco recurso, ainda não se confirmou. Entendo como mais adequado adaptar-se à realidade financeira. Mesmo que aparentemente isso represente perder força, ainda é melhor um equilíbrio financeiro com investimentos mais modestos do que o oposto.

Organizado nas finanças, mas ainda com resultados modestos

Diferente dos demais clubes da cidade, o Pelotas parece estar mais próximo do equilíbrio financeiro. As informações repassadas pelo presidente Gilmar Schneider são muito otimistas em relação à modernização do estádio e às novas fontes de arrecadação que poderão fazer do clube autossustentável. O desafio é transformar tudo isso em evolução técnica. Existe uma obsessão por uma vaga em competição nacional. Não é fácil, mas parece estar no caminho certo.

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