Arte: Rede Esportiva

Os aguapés estão se mexendo. A CBF quer a volta do Brasileiro em 8 e 9 de agosto, com a Série B começando na semana seguinte. O governador de São Paulo, João Doria, anunciou que a curva de contágio do vírus no estado está entrando em platô, o que, sem nenhuma dúvida, vai ajudar a acelerar o processo de volta do certame nacional. Voltando, o maior campeonato do país deve acabar em janeiro ou fevereiro.

O rompante de rebeldia do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, em “romper” com o governo do estado e mandar o clube para treinar em Criciúma, é muito mais visando o Brasileirão do que o Gauchão, mesmo que se saiba do interesse financeiro do clube. Foi uma maneira de pressionar o governo do estado a tomar alguma atitude que fosse do interesse do Grêmio e, claro, tinha viés político. Prefeito de Osório por quatro vezes, o mandatário Tricolor vem sendo muito pressionado pelo seu partido, o PDT, para assumir pré-candidatura ao governo do estado em 2022. Pompeo de Mattos, presidente estadual do partido, chegou ao ponto de confirmar a candidatura, dizendo que Romildo estava “emprestado” pelo PDT ao Grêmio. Matreiro, Bolzan emitiu nota descartando a candidatura. Ah, a mesma movimentação do Grêmio deve ser feita pelo Inter.

Por maior interesse financeiro que seja da dupla Gre-Nal pela volta do Gauchão, a importância do Brasileirão é imensamente maior em todos os aspectos, inclusive para projetar o orçamento de uma temporada para outra. Então, ao que parece, o foco agora é outro, principalmente depois do pronunciamento do governador Eduardo Leite, que, quase em tom professoral, deixou muito claro que os próximos 15 dias serão cruciais para conseguirmos conter o vírus aqui no estado. Ou seja: treinos seguirão apenas ocorrendo individualmente, e não haverá espaço para trabalhos coletivos que azeitariaM a preparação para começar o Gauchão.

Não há saída: faltarão datas. Se já não haveria rebaixamento, o melhor será dar as vagas em competições nacionais de acordo como acabou a classificação na parada, e não dar o título para ninguém.

Em uma semana na qual a pressão pela volta era absurda, na qual o Inter teve quatro atletas infectados, o São Luiz mais dois, o técnico Julinho Camargo foi parar na UTI e os números disparam no estado e no país, fomos aparentemente “salvos” pela falta de datas. Ainda bem.


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