Imagem: Rede Esportiva

No Programa Prorrogação de ontem , na Dez 91.9 FM, O Renan Turra, a Tanize Sedrez e eu, recebemos o amigo Carlos Guimarães, comentarista da Rádio Guaíba, para falar sobre o momento turbulento que vivem Internacional e Grêmio, que vão de mal a pior no Campeonato Brasileiro. Guimarães explanou por quase 20 minutos sobre bastidores da dupla da capital, e, após o papo, o Renan fez uma colocação importante aos ouvintes do nosso programa: “Falamos bastante com o Carlos, e não tocamos no nome de nenhum jogador da dupla Grenal, foi só sobre bastidores políticos.” – observou bem, inclusive no dia em que João Patrício Herrmann, foi desligado da vice-presidência de futebol colorada.

Para arrematar, logo após a colocação do Renan, coube à mim fazer outra observação: “Como aqui é parecido, não?” – me referindo justamente aos problemas políticos que vive o Brasil. As semelhanças não param por aí. Vejamos: tanto Grêmio quanto o Brasil, estão na décima nona colocação em suas divisões; tanto Grêmio quanto o Brasil tem técnicos extremamente identificados com seus clubes; tanto Inter quanto o Brasil vivem turbulência política nos bastidores; tanto Inter quanto o Brasil tem presidentes recém chegados ao cargo e que ainda estão buscando afirmação no cargo. O que temos em Porto Alegre que nos difere daqui, é que Romildo Bolzan Jr e Alessandro Barcellos vivem pressão diferente da de Nilton Pinheiro, pois ambos são cotados(no caso de Romildo, pressionado) à serem candidatos nas eleições do ano que vem: Bolzan é candidatíssimo ao governo do estado pelo PDT, enquanto Barcellos começa a ter seu nome falado para engrossar a nominata do PT à Câmara dos Deputados. Por aqui ainda não temos isso.

Um dos pontos que mais me chamou atenção na fala de Guimarães ontem, foi quando ele se referiu ao discurso forte de Alessandro Barcellos em fazer uma ruptura total à tudo o que vinha sendo feito pelo Inter em administrações anteriores. Segundo ele, era preciso romper com a linha adotada pelo Movimento Inter Grande, grupo hegemônico na política do Inter desde 2002, responsável pela gestão no ano do rebaixamento para a Série B, porém, responsável igualmente por 16 títulos entre 2002 e 2016. Lembrei muito do período pré-eleitoral e no intervalo entre a eleição e a posse do presidente Nilton, quando ele falou muitas vezes em profissionalização total do clube. Até aí, tudo normal, porém, da maneira repetida em que proferia isso, parecia que, mesmo veladamente, o Brasil – que nos últimos 9 anos saiu da Segundona para a Série B do Brasileiro, sob a batuta de Ricardo Fonseca – não estivesse indo bem em sua atividade-fim, o futebol. Quando se fala em ruptura de métodos é necessário duas questões: fazer uma avaliação quanto à viabilidade disso, e ver se é possível fazê-la em cima da cultura do clube.

Se no Menino Deus e no Humaitá, na capital, os bastidores políticos fervem, não é diferente na rua João Pessoa. Porém, me preocupo enormemente quando vejo isso acontecendo aqui, e nas atuais circunstâncias nas quais vimos o Brasil passar. Repito: o Brasil já tem problemas demais para se preocupar, do que viver uma crise institucional. Semanas atrás, cobrei do presidente Nilton que agisse como presidente, e fizesse uma manifestação ao torcedor do Brasil. Ele o fez, porém, não considero que tenha sido da maneira mais salutar ao clube, quando da manifestação sobre a saída de Claudio Tencati. Ontem, na apresentação do novo comandante, estavam todos sentados à mesa: Marcelo Menegotto, Cláudio Montanelli, Nilton Pinheiro, o presidente do Conselho Deliberativo João José Cruz, e os “apresentados” Cleber Gaúcho e Hélio Vieira. A foto caiu bem, mas que não seja apenas pela importância do momento, de apresentar um ídolo da torcida para comandar o Brasil em uma situação difícil. É preciso ir além disso.

É hora de todos. A foto com todos juntos à mesa pegou bem, pois são nos momentos complicados que vimos o tamanho das atitudes que precisam ser tomadas. É hora de despir-se de vaidades pessoais e mostrar que o Brasil é maior que tudo e todos, e não de apagar incêndio com gasolina. Que a simbologia da foto de ontem seja o começo de uma era de paz nos corredores da Baixada.

MERECE PALPITE
Hoje, pela Copa Libertadores, em partida atrasada, o Fluminense recebe o Cerro Porteño, no Maracanã. Com odd de 1.76, os comandados de Roger Machado devem confirmar o favoritismo.

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