Arte: Rede Esportiva

Vocês sabem o que eu sempre pensei. Mas esse final de semana foi agitado: desde a confirmação de quatro testes de Covid-19 alterados no Pelotas, e outro no Brasil, os “aguapés” mexeram-se na cidade. E após a confirmação da Secretaria Municipal de Saúde que um desses quatro casos teve a confirmação da contaminação do vírus, a Prefeitura Municipal vetou a realização do clássico Bra-Pel nesta quarta-feira(22) em Pelotas.

Lembro o que escrevi na coluna da sexta-feira: não sou contra a volta do futebol. Sou contra a volta do futebol AGORA, quando o estado do Rio Grande do Sul vive seu pior momento no combate ao vírus. Ressalto ainda que, comparado a outras cidades, a situação de Pelotas é “menos pior” que outros centros, mas o aumento médio de casos assusta, e a taxa de ocupação de leitos de UTI chega próxima de 50%. Ainda assim não é uma realidade simples.

Viramos o “centro” do noticiário esportivo do estado pois conforme for definido sobre o caso do Pelotas, os rumos do Campeonato Gaúcho podem mudar mais uma vez. Ouvindo a prefeita Paula Mascarenhas em duas emissoras da capital, notei dela a firmeza necessária para o caso: ela ressalta que a prioridade, como não poderia deixar de ser, é a questão sanitária. Ela entende o que o futebol significa, e inclusive se mostrou aberta a atender um pedido feito por Gilmar Schneider e Luciano Hocsmann, que é de poder jogar no final de semana que vem – e repassará para os órgãos de saúde.

Porém, a linha de pensamento da prefeita é a mais correta: não dá para facilitar. Todos os que estiveram em contato com o atleta infectado devem ficar em quarentena até o dia 29. Pode ser que nada ocorra, mas pode ser que sim. E aí, quem se responsabiliza?

Paula foi clara: “Eu não posso proibir o Pelotas de jogar fora da cidade. Tenho ingerência apenas nos nossos limites territoriais. Tenho certeza que o presidente Gilmar tomará a melhor decisão. Eu fico chateada, sei o que o futebol representa para muitos, mas nossa responsabilidade tem de ser com a questão sanitária”, disse. E é isso. O protocolo é para todos, não apenas para o futebol.

A volta do Gauchão agora é uma confusão desnecessária. Nenhum agente político vai colocar o futebol como prioridade em um cenário tão complexo, no qual a luta é contra um inimigo invisível que vem ceifando vidas e destruindo com a economia. E quem faz, e fez isso, como os prefeitos de Porto Alegre, São Leopoldo (que só liberou o jogo com mando do Aimoré), Novo Hamburgo e Pelotas, age com a razão. Inclusive desconfio que Marchezan, Vanazzi, Fátima Daudt e Paula devam ganhar “companhia” nos próximos dias.

Sei do quanto o clássico Bra-Pel, Gre-Nal, Ca-Ju, do Vale e todos os outros jogos representam. Sei o quão importante eles são. Como repórter, pude cobrir in loco 14 clássicos Bra-Pel e o clássico Gre-Nal de encerramento do Olímpico, e lhes afirmo: a atmosfera dos bastidores é algo inexplicável. Mas é hora de deixarmos as coisas que significam menos momentaneamente de lado. E há muito tempo já ouvimos que “dentre as coisas menos importantes, o futebol é a mais importante delas.”

O Bra-Pel está suspenso oficialmente. E espero, de verdade, que haja prudência. Não precisamos correr o risco de termos um surto do vírus como na Chapecoense. Já imaginaram? Claro, pode não acontecer (e espero muito que não ocorra), mas e se ocorre? O melhor é esperar a quarentena em sua totalidade, pois os números assustam e nada impede que mais contaminações ocorram.

Respeito muito quem pensa diferente de mim. Sei da urgência da volta no que diz respeito ao aspecto financeiro. Não sou nenhum alienado para não considerar isso. Mas agora é complicado. Não há clima para boa parcela das pessoas. As que são envolvidas diretamente precisam e querem a volta. Entendo. Mas, na opinião desse reles escriba, não dá para voltar “a martelo”. Não dá para desconsiderar tudo o que estamos vendo todos os dias. Aguardemos boas notícias.

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