Arte: Rede Esportiva

Há poucos dias, bati um papo via live no Instagram com o ex-atacante Cleverson. Uma hora e vinte minutos divididos em duas partes de muita sinceridade do atacante que marcou gols marcantes: o da vitória contra o Fortaleza, na Baixada, e o terceiro do Pelotas na vitória improvável contra o Esportivo por 3 a 0.

Comecei abordando sobre o Brasil. Ele ressaltou que, apesar de ter jogado apenas 11 jogos, teve um período marcante na Rua João Pessoa. Ressaltou que o time que subiu da Série C para a B tinha um “vestiário fora do comum” e que a grande quantidade de jogadores rodados foram fundamentais para aquele acesso. Lembrou também da véspera da vitória contra o Fortaleza, que na concentração ouviu de Eduardo Martini, seu colega de quarto: “Imagina se tu faz o gol do acesso?”. Acabou fazendo, pois o jogo decisivo foi um 0 a 0 no Ceará, com seu colega de quarto sendo protagonista.

Sobre Rogério Zimmermann, elogios e queixas. Disse que RZ é um grande formador de grupos e que isso é fundamental e que tira tanto dos atletas no dia a dia, que chegou a citar que os jogadores acabam o treino já esperando pelo próximo. Porém, não escondeu que sua saída do clube foi por entrar em colisão com o técnico. A gota d’água teria sido uma substituição contra o Cruzeiro, em Gravataí. Ele havia sido recém elogiado pelo técnico e foi sacado. Não gostou, falou algo, foi orientado a pedir desculpas e não o fez. Saiu, mas anos depois conversou com o técnico e tudo foi contornado.

Já no Pelotas, ele ficou um pouco mais. Não poupou elogios ao grupo campeão da série A2 de 2018, ao ex vice de futebol Manoel Nunes, ao ex executivo Rafael Farias e ao presidente Gilmar. Porém disse que prefere não lembrar que esteve no clube no período preparatório para o Gauchão 2019.

Com toda sinceridade possível, ele disse ter convicção que o grupo de 2018 era melhor que os de 2019 e 2020, e que fariam papel melhor no Gauchão. Cleverson colocou aquele Pelotas como um dos melhores grupos que trabalhou, pelo grau de envolvimento de todos, pela amizade entre eles e pela possibilidade de começar a tirar o clube de um lugar que não era o seu. Disse que depois da derrota em Bento Gonçalves chegou a estar decidido a sair, pois estava decepcionado por não ter entrado no jogo, o que foi contornado graças a Rafael Farias, Carlão, Tatto e Giancarlo. Fez o gol da classificação na volta, e classificou aquele jogo como um dos mais marcantes da carreira.

Ressaltou seu carinho pelo Lobo, mas disse que o “Pelotas tinha que levantar as mãos para cima com o não rebaixamento, pois a coisa estava feia”. Disse que achava que um dos dois da dupla cairiam e que estava mais para o Pelotas. Detonou a “República do Paraguai” que se instalou aqui em 2019: “Coisas inacreditáveis aconteceram: tivemos 10 períodos seguidos de trabalho, o que eu nunca vi igual. Talvez no Paraguai o futebol seja melhor que no Brasil e o treino tenha que ser mais forte.”

“Inventaram que eu tinha que ser volante, pois não conseguiria jogar de ponta. Eu disse que não seria volante. Para que a análise de desempenho? Não tinham os jogos gravados lá? Não viram que não tinha perfil? (…) Me viam como uma liderança muito forte no vestiário, pois tínhamos o pessoal que já estava no clube, e eu era um dos que mais falava no vestiário. Eles nunca gostaram.”

Explicou sua saída, que culminou após uma série de desgastes: “A reta final se deu após uma chegada que levei em um mini-coletivo, quando deixei o treino e fui pro DM. Sangaletti foi atrás de mim, perguntou o que houve e eu disse que não havia nada. Houve um churrasco, participei normalmente. Na reapresentação não deixaram eu entrar no vestiário, pois ele me disse que tinha que esperar o presidente. Achei que seria multado. Não deixaram eu me explicar, nem pedir desculpas ao grupo.”

Perguntas
Perguntei ao ex-atacante o que ele pensava quando lembrava de sua passagem sobre Brasil e Pelotas:

Brasil: “Penso em objetividade. A gente era muito efetivo. A gente faria o gol e, se as coisas que o Rogério mandasse a gente fazer dessem certo, nós não sofreríamos o gol. Íamos nos fechar e não perderíamos o jogo.”

Pelotas: “Lembro de jogo bonito. As coisas deram certo. Era tudo encaixadinho, tudo certo. A gente fazia as coisas e tudo acontecia. Tanto é que já tínhamos subido e fizemos 4 a 0 ao natural na final.”

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