Imagem: Rede Esportiva

O que era esperado por muitos, de fato ocorreu. Após afastamento por mais de 10 dias para cuidar de sua saúde, Nilton Pinheiro entregou na noite de ontem sua carta de renúncia, e não é mais presidente do Grêmio Esportivo Brasil. Segundo nota emitida pelo clube, os vices Carlos Monks, Renato Moreira e Fernando Caldas – que devera ser nomeado – assumem o clube.
Antes de mais nada, ressalto que sigo na torcida para que Nilton Pinheiro, com quem conversei poucas vezes, se recupere da maneira mais breve possível. A pressão, intensidade exigida e entrega para assumir um clube de massa, como o Brasil, é altíssima, e muitas vezes, desmedida. Em algumas vezes, o tipo de cobrança extrapola a espera esportiva, e passa para a pessoal. É o ônus do cargo. Desde quando Nilton assumiu, no mês de fevereiro, fui crítico ferrenho de inúmeras decisões chanceladas por ele – seja na Dez FM, no twitter.com/eduardootorres, e por aqui mesmo – principalmente relacionadas ao futebol. Venho reafirmando que, quando o rebaixamento acabar confirmando-se, ele não será o culpado. O rebaixamento, como um todo, é um fardo muito pesado para ser carregado por um pessoa só, porém, dentro da divisão de responsabilidades, é claro que o presidente sempre terá uma parcela de culpa considerável, tendo em vista que, na maioria das vezes, é quem dá a última palavra.

Pinheiro chegou ao clube pregando profissionalização de todos os setores, principalmente o futebol, setor que, inegavelmente, foi o que melhor funcionou nos últimos anos, quando o clube saiu da segundona gaúcha e chegou à seis anos na Série B do Brasileiro. Porém, não foi o que se viu na prática. Desde a chegada dele, o gerente Fernando Leite ganhou status de “super funcionário” fazendo o que lhe convinha, não respeitando hierarquias e sendo uma pessoa que, internamente, contava com a simpatia de poucos, onde o chefe estava incluindo. O Gauchão foi complicado, com o rebaixamento batendo na porta do clube, e a Série B, com crise técnica, financeira e institucional – com a renúncia do vice de futebol Claudio Montanelli e a demissão do diretor de futebol, Marcelo Mengotto – além dos quase 50 atletas contratados desde o começo do ano. Teve muita coisa errada.

Reitero: o rebaixamento não será culpa exclusiva de Nilton Pinheiro. Muitos tem culpa, por inúmeros motivos: omissão, erros de avaliação, anuência em decisões erradas e outras tantas coisas. Mas Nilton errou bastante. Errou quando isolou-se, e deixou de ouvir pessoas certas. Errou quando não pediu ajuda aos mais experientes. Errou, quando no anúncio da saída de Claudio Tencati, ele “apagou o incêndio com gasolina”, ao fazer tudo sozinho, comunicar o departamento de futebol depois, e no ato do anúncio, levar o vice administrativo, e não o vice de futebol. Na esfera desportiva, de fato, a temporada caótica de 2021, na qual Nilton começou seu mandato e acabou em 04/10, será para esquecer para a torcida Xavante.

Do fundo do meu coração, torço, e faço votos, que a recuperação médica de Nilton Pinheiro ocorra o mais rápido e na maior plenitude possível. Sou partidário da máxima de que dirigentes passam, e as agremiações ficam, mas nunca, e em nenhuma hipótese, possa se cogitar colocar o clube à frente da vida pessoal ou da saúde de quaisquer dirigente que seja. Ao Brasil, torço para um período de transição minimamente tranquilo. Seja com o triunvirato de vices no comando, ou, em caso da renúncia coletiva, com o novo presidente. A próxima temporada será longa, e o Brasil, mais do que nunca, precisa de paz.

MERECE PALPITE
Corinthians e Bahia enfrentam-se hoje, às 21h30, na Neo Quimica Arena, pela Série A do Brasileiro. Contra um adversário em queda livre, o Timão, de Renato Augusto, Willian, Giuliano e Roger Guedes, não deve ter problemas para bater o time baiano.



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