Arte: Rede Esportiva

Em coluna publicada aqui no Rede há algumas semanas, comentei sobre o caso Felipe Guedes, que chegou ao fim na manhã desta sexta (26), quando o Pelotas emitiu nota oficial confirmando as rescisões dele e de Bruno Ribeiro (mais uma daquelas contratações inexplicáveis).

Guedes é um ótimo jogador, isso é inegável. Teve boa passagem em 2012, foi um dos poucos que se escaparam no fiasco de 2014 e, no Gauchão, vinha sendo um dos principais nomes do Pelotas. Porém, ele é difícil. Não esqueçamos o que houve entre ele e o Brasil no período preparatório para a temporada 2020 (ele chegou a estar no material produzido pelo clube, não apareceu e parou no Pelotas), o que fez torcedores do Lobo brincarem que seu clube havia dado um “chapéu” no rival, levando o jogador para a Avenida. Lembro que na época eu comentei: “O Brasil perdeu um grande jogador, que inevitavelmente seria titular. O Pelotas ganhou um potencial titular e, de quebra, enfraqueceu o rival.” Porém, ressaltei que na relação Brasil/Guedes as duas partes haviam cometido erros. O clube pode ter pecado administrativamente, ou financeiramente, quem sabe. Mas, o jogador não cumpriu o que acordou com o Xavante. O nome dele não estaria na listagem dos acertados por nada.

Quando Guedes acertou com o Pelotas e seu tempo de contrato foi divulgado (até o final do Gauchão 2021), a minha dúvida era uma: como o Pelotas seguraria um atleta com relativo mercado no – financeiramente deficitário – segundo semestre? Depois eu soube que ele e a direção tinham um acordo para uma baixa nos valores nesse período.
Veio a pandemia, aconteceu tudo o que já sabemos no mundo, e apareceu o América de Natal querendo o volante, e o volante querendo o América. Em um primeiro momento foi falado em um empréstimo até dezembro, depois em ida definitiva. Aí chegamos na minha coluna, que citei no começo desse texto: em seu título eu já dava minha opinião, que era que sua permanência só seria boa caso ele estivesse 100% focado no Pelotas.

Eu sempre fui de pensar bastante e, desde que comecei a morar sozinho, acabei potencializando essa tese. A solidão ajuda a ajustar os pensamentos. E para escrever essa coluna, organizando-a mentalmente, lembrei de um dos ditos populares mais antigos: “Quando um não quer, dois não brigam.” Cai bem para a ocasião.

Imaginem se o Pelotas não libera Felipe Guedes? Além do desgaste entre as partes, o clube teria um jogador no frio do inverno gaúcho, pensando que poderia estar no calor potiguar.

Na primeira vinda do futebol europeu para o Brasil, Adriano Imperador, apresentando-se ao São Paulo, como de costume, foi sincero. “Jogador nenhum fica onde não quer estar. Eu não queria a Europa, queria o Brasil. E aqui estou.” E com Guedes seria a mesma situação. Ele não estaria satisfeito permanecendo, pois já havia definido deixar o Pelotas.

Qual seria o quadro? O Pelotas manteria em seu plantel um ótimo jogador, que, por não querer ficar, possivelmente ficaria de má vontade, não rendendo o que poderia, e forçando – dessa vez indiretamente – sua saída. O clube teria de pagar débito referente ao Gauchão (que ele abriu mão para sair) e mais o salário acertando previamente para alguém que não queria estar lá.

Por fim: o clube poupou dinheiro (mesmo perdendo um excelente jogador), e o atleta foi para onde quis. Bom para todo mundo.

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