Imagem: Rede Esportiva

A formatação de uma equipe não é uma tarefa fácil. O trabalho que o novo comandante xavante vem tendo neste momento prova isso. Ainda somos muito imediatistas, porém o futebol não é, e, para um treinador que há pouco chegou no clube, as experiências vão acontecendo obrigatoriamente durante a competição.

O maior problema do Brasil no jogo contra o CRB não foi a derrota. Perder fora de casa pelo placar mínimo não é nada assustador. O problema também não é a postura defensiva. Jogar em bloco baixo é uma proposta de jogo como outra qualquer, que oferece vantagens e desvantagens. Escalar três zagueiros forma uma linha de cinco defensiva e isso, em teoria, aumenta a amplitude defensiva e bloqueia jogadas do adversário pelas laterais. Dentro da área os três defensores centrais dão uma maior segurança na bola aérea. Esta é mais uma opção que, a exemplo da altura do bloco, tem aspectos positivos e negativos.

Quando se joga com uma linha de cinco defensiva e defendendo em bloco baixo, a tendência é que o time seja atacado. Até aí tudo normal. Os problemas começam quando essa proposta não se mostra eficiente, e digo isso porque o Brasil, a despeito da proposta citada, teve em seu goleiro uma figura atuante, foi atacado pelas laterais e praticamente não ofereceu riscos ao adversário. Preparou-se para a bola aérea, por conhecer Léo Gamalho, experiente finalizador e bom cabeceador, porém, no jogo de xadrez que vem caracterizando o futebol atual, sofreu o gol numa bola que entrou por baixo na defesa xavante. E não foi a primeira.

Vida de treinador não é fácil. Se sai na frente e recua o time, ao levar o empate é criticado por isso, como aconteceu no último jogo em casa. Se, na mesma situação de vantagem no placar, segue atacando e oferece espaços, da mesma forma é criticado, agora por não ter se defendido. Hemerson Maria também deixou bem claro que chegou em Pelotas com outra ideia na cabeça, citando inclusive a preferência por jogar com duas linhas de quatro, porém precisou adaptar sua proposta inicial às condições que encontrou. Antes de criticá-lo devemos entender que ele, mais do que ninguém, não se sente confortável com o atual momento e as opções que tem em mãos, mas lhe cabe seguir buscando soluções.

O caminho é longo, há muito a ser feito e todos na Baixada sabem disso. Sabemos que implementar uma filosofia de jogo demanda um certo tempo, e tempo é artigo raro no futebol brasileiro, não tanto pelo calendário mas principalmente por aspectos culturais. É hora de pôr à prova as convicções, sejam elas da direção ou do comando técnico e, mais do que nunca, contar com o apoio do seu torcedor para reverter a situação.

Um comentário

  • Rogério Uszacki 19 / 08 / 2020 Resposta

    Perfeita análise professor. As peças que ele dispõe no momento são inferiores técnicamente ao adversário. Fecha a casa, porque se jogar para frente, vai tomar goleada. Um abraço!!!

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