Imagem: Rede Esportiva

Polêmicas à parte, o retorno do futebol é uma realidade. E logo de saída com alguns clássicos.

O jogo de abertura reune Ypiranga e Esportivo. O Canarinho, tendo calendário o ano todo, com uma competição nacional, vislumbra, além da retomada, também a preparação para a continuidade do ano. Tem como desvantagem as grandes distâncias que precisará cobrir, exigindo do clube um esforço adicional em termos de logística. Já o time serrano entra em campo para confirmar a boa campanha realizada até a parada e, ao contrário do seu adversário, goza de uma boa localização geográfica, representando viagens mais curtas, e isso faz muita diferença não apenas em um jogo isolado, mas na sequência deles e consequente cansaço cumulativo.

Fechando o primeiro dia deste retorno, o Gre-Nal marcará o confronto entre as duas equipes que se prepararam por mais tempo, e isso, aliado ao poderio técnico e institucional de ambos, os coloca como favoritos nesta retomada. Depois de alguns desencontros com a prefeitura da capital, o jogo foi transferido para a Serra, e isso, somado à ausência de torcedores, trará um ar de neutralidade ao clássico.

O segundo dia de jogos começa cedo. Logo pela manhã Caxias e Juventude duelam no Alfredo Jaconi, num jogo que, além de ser um clássico, terá como ingrediente extra o horário. Jogar às 11h vai contra tudo o que se preconiza em termos de rendimento. Num dia normal dentro da rotina de um clube, neste horário o atleta está desacelerado, ou seja, finalizando uma sessão de treinos ou descansando se não houve treino naquela manhã. O organismo é extremamente treinável, tendo uma enorme capacidade de adaptação a qualquer situação, desde que seja rotineira e consequentemente ofereça tempo para os devidos ajustes. O que ocorre em situações como esta é que, nos dias que antecedem o confronto, os treinos passam a ser realizados naquele horário, tentando fazer com que o atleta adapte-se e assim atenue implicações em termos de alimentação e repouso, fatores que, somados ao treinamento, respondem pelo bom rendimento.

O clássico do Rio dos Sinos vai para o Vale do Taquari, casa do Lajeadense, onde o Aimoré de Helio Vieira vai tentar manter a boa sequência que vinha apresentando desde que o novo comandante assumiu, ainda antes da pandemia, e leva, a meu ver, uma vantagem pelo fato de enfrentar um Novo Hamburgo que trocou o treinador há poucos dias.

Fecham essa primeira rodada São Luiz e Zequinha, ambos vislumbrando a continuidade do ano competitivo com competições nacionais. Assim como o Ypiranga, também o Rubro tem sua base longe das cidades que sediarão os jogos, e também precisará de uma boa logística, trazendo uma dificuldade extra ao pouco tempo de preparação.

Encerrando a primeira rodada, não há o que falar do jogo que não vai acontecer. Infelizmente para o torcedor pelotense o clássico Bra-Pel foi o único jogo adiado. Espero que a melhor decisão seja tomada pelos gestores públicos e do futebol, para que possamos desfrutar do maior clássico do interior gaúcho sem descuidar da saúde e segurança de todos.

O ponto comum entre os clubes é o pouco tempo de trabalhos coletivos, e quando digo coletivos não refiro-me apenas aos trabalhos 11×11, mas todo e qualquer tipo de treino que envolva confrontos, visto que logo na retomada os elencos apenas faziam trabalhos físicos, com componente técnico ou não, mas sem trabalhar a mecânica de jogo. E este fator, somado ao reduzido tempo de treino e a parada longa a que os atletas foram forçosamente submetidos é mais um elemento a ser analisado.

O ponto positivo, independente da pandemia, é que dos 12 clubes que disputam o Gauchão, nove possuem calendário o ano inteiro com competição nacional. Apenas Novo Hamburgo, Aimoré e Esportivo não participarão de certames organizados pela CBF, e muitos conseguiram essa condição através de competições do segundo semestre, a conhecida e às vezes negligenciada Copinha. Penso que um clube de futebol deve contemplar dois quesitos: categoria de base e futebol o ano inteiro. Quem fez uso deste binômio nunca se arrependeu, mas aí já é assunto para outra coluna.

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