Na quinta-feira (16), o técnico da Seleção Brasileira de futebol feminino, Vadão, anunciou a lista de convocadas para a Copa do Mundo da França, que ocorre em junho. Andressinha, formada no Pelotas Phoenix, já era esperada na lista, e foi selecionada. A atleta de 24 anos tem uma história de 11 anos na Seleção e atualmente atua pelo Portland Thorns, dos Estados Unidos.

Em vídeo para o Rede Esportiva, a meio-campista falou sobre o começo da sua trajetória no futebol. “Meu início foi no Pelotas, com as Lobas, minha eterna gratidão por essa equipe. Foi o início de tudo e sempre vai estar gravado na minha memória”, disse.

 
Trajetória

Andressinha, como é conhecida por todos, se chama Andressa Cavalari Machry e nasceu em Roque Gonzales, no Rio Grande do Sul. Ainda muito nova driblou diversas dificuldades até chegar ao topo do futebol feminino. A trajetória até a primeira convocação, aos 13 anos, para a categoria Sub-17, foi longa e contou com o apoio especial do pai, Elizeu, que a estimulava e acompanhava em todos os lugares para jogar futebol.

Foto: arquivo pessoal

“Eu me lembro que quando eu era pequena, meu pai queria muito ser jogador de futebol, e eu o acompanhava para cima e para baixo. Lembro da época em que ele tinha uma barraquinha de cachorro quente, e eu ia para a praça jogar bola e ele ficava trabalhando e me cuidando”, contou à CBF, em 2018.

Foi em uma peneira de atletas de futebol feminino no interior estado que Andressinha teve a sua primeira oportunidade na Seleção Brasileira. Aos 14 anos, foi convocada para fazer parte da equipe sub-17. Marcos Planela, auxiliar técnico da categoria à época, foi um grande incentivador, que a indicou mesmo sendo bem mais nova que as demais atletas.

Montagem de fotos: Marcos Planela / Arquivo pessoal

Logo em seguida, a atleta foi convidada por Planela para integrar a equipe do Pelotas Phoenix. E seu pai teve, novamente, um papel muito importante: dirigia 1.600 km, ida e volta, para levar a filha até Pelotas nos finais de semana de treinos e competições.

Depois das Lobas, Andressinha seguiu para o Kindermann, de Santa Catarina, clube tradicional no futebol feminino. E foi lá que ela conquistou títulos importantes e foi apontada como uma das maiores promessas do mundo na modalidade.

Ainda na base, Andressinha virou a camisa 10 e a capitã de todas as categorias que passou: a sub-17, em 2010 e 2012, e a sub-20, em 2012 e 2014. E foi neste ano de 2014 que o coração pulsou mais forte, quando foi convocada pela primeira vez para a equipe principal. E mais: para disputar a Copa América no Equador, na qual o Brasil se tornaria campeão. “Quando eu fui convocada para a Copa América em 2014 foi uma emoção muito grande, pois eu tinha chegado na Seleção principal. Era o trabalho das categorias de base dando resultado. Claro que tinha aquela incerteza por eu ser muito nova, o que aconteceria no futuro. Mas graças a Deus as coisas vêm dando certo”, relembrou à CBF TV.

Com muita habilidade e atributos técnicos e táticos, no mesmo ano, o site da CBF intitulou a gaúcha como “A dona da bola parada da Seleção feminina”. O técnico Vadão a encheu de elogios. “Sempre que me perguntam sobre o futuro do futebol feminino, falo da Andressinha. Ela é uma jogadora espetacular! Mas evito fazer comparações com qualquer outra. Ela é a Andressinha e tem muita habilidade. Todas as jogadoras já sabem que quando a falta é na entrada da grande área, a bola é da Andressinha. É impressionante como ela bate bem na bola”, disse Vadão na ocasião.

Andressinha e Marta em jogo da Seleção (Foto: arquivo pessoal)

Em 2015, Andressinha teve a primeira oportunidade fora do país. Foi jogar no Houson Dash e disputar a Liga Nacional de Futebol Feminino dos Estados Unidos. A temporada também foi especial porque a Seleção feminina realizou um programa de 18 meses de preparação da equipe para a Copa do Mundo no Canadá e para os Jogos Olímpicos do Rio. O resultado no Mundial, no entanto, deixou a desejar: a equipe brasileira foi eliminada pela Austrália nas oitavas de final. A redenção veio na disputa do Pan-Americano de Toronto, no qual o Brasil conquistou a medalha de ouro.

Nas Olimpíadas do Rio, uma derrota amarga em casa. O Brasil perdeu a vaga na final nos pênaltis, para a Suécia. Andressinha disperçou a quinta cobrança brasileira, mas logo na saída de campo, mesmo chateada, falou da importância daquele momento ao globoesporte.com:  “Foi muito bonito o que a torcida fez. Esse carinho da torcida não tem preço. Talvez tenha sido o maior legado que nós deixamos aqui no Brasil em relação ao futebol feminino”, afirmou.

Atualmente, Andressinha está no Portland Thorns, dos Estados Unidos. No último sábado (11), o Portland enfrentou o Orlando Pride (time de Marta) pela Liga Americana NWSL e venceu pelo placar de 3 a 1. Andressinha marcou o segundo gol da equipe, que está em quinto lugar na Liga.

Veja o currículo da jogadora:

Foto: CBF

Foto: CBF

Foto: CBF

Foto: CBF

Foto: CBF

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