Arte: Rede Esportiva

A difícil arte de fazer gestão no futebol

Quando assumiu a presidência do Pelotas, Gilmar Schneider chegou com um discurso diferente. Prometendo uma gestão profissional, utilizando a referência de sucesso nas suas empresas.

Realmente nos primeiros anos sob o seu comando o clube solucionou uma série de problemas decorrentes de ações trabalhistas, equilibrou as contas e alinhou uma negociação que, de acordo com o anunciado, poderá mudar o patamar de arrecadação do clube.

Mas, mesmo que os resultados de campo sejam razoáveis, com o retorno à primeira divisão gaúcha e a conquista a Copinha do ano passado que garantiu a vaga na Série D nacional, a campanha de sócios não decolou e a arrecadação ainda está bem abaixo da expectativa.

Para piorar, o fraco desempenho da equipe no Gauchão diminuiu o interesse da torcida e o público nos jogos tem sido muito reduzido.

Números que trazem preocupação

Além da folha salarial de jogadores e comissão técnica, que segundo o presidente gira em torno de R$ 300 mil, o clube tem um compromisso mensal de R$ 50 mil em acordos trabalhistas e terá que pagar R$ 75 mil em função de uma ação judicial movida por um antigo locatário de um dos espaços no entorno do estádio.

Existem ainda as despesas com os demais funcionários do clube e outros custos fixos como água e luz que não foram divulgados.

De acordo com Schneider, em entrevista à rádio Pelotense, a arrecadação não é compatível com as despensas e, para disputar a Série D a tendência é piorar porque, diferente do Gauchão, no nacional não há receita de televisão.

Para que tenha as negativas liberadas junto à receita federal, o Pelotas precisa negociar dívidas junto ao órgão e comprometer em torno de R$ 70 mil/mês.

A evolução é condicionada ao resultado

A reestruturação do clube deveria ser causa e não consequência dos resultados de campo. No entanto, em clubes do interior, é praticamente impossível evoluir sem o respaldo de boas campanhas.

No caso de Pelotas, ser rebaixado no Gauchão pode representar um retrocesso também na gestão.

O jogo diante do Esportivo será mais uma oportunidade para amenizar a pressão. Será o primeiro dos quatro últimos jogos derradeiros no segundo turno e, se não vencer, o áureo-cerúleo precisa de duas vitórias nos três últimos jogos, o que não conseguiu fazer até agora nos sete confrontos que teve na competição.

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