Imagem: Rede Esportiva

Quem assistiu ao confronto Pelotas x Caxias pela Série D do Campeonato Brasileiro, além de ver a reedição da semifinal da Copinha do ano passado viu um jogo desigual, embora o placar de 2 a 1 e a pressão nos minutos finais não demonstre isso.

Este jogo não começou no apito do árbitro.

Enquanto o Pelotas foi salvo do rebaixamento pela pandemia, o Caxias foi vice-campeão, além de terminar deixando uma ótima impressão ao vencer o campeão dentro da Arena e jogando com autoridade.

A diferença também se dá por um trabalho que vem desde a Copa FGF do ano passado, com a mesma comissão técnica, a mesma filosofia, enquanto que o projeto de continuidade do Pelotas foi interrompido nas primeiras rodadas do Gauchão, quando trocou o treinador e precisou, após a pandemia, começar do zero não só a montagem de um elenco mas também a implantação de um novo modelo de jogo.

Quando uso a expressão “modelo de jogo” faço referência a toda uma mecânica que é exigida dentro de campo, bem como a operacionalização e conhecimento da mesma não só por quem inicia os jogos, mas por todo o grupo. E isso leva tempo. Mais do que 50 dias. Este foi o prazo que o Pelotas teve após o término do Gauchão até o início da competição nacional. Tempo suficiente para se ter uma ideia do que o treinador quer, mas não para total assimilação do referido modelo de jogo em todas suas nuances. Talvez isso seja demais para o torcedor, mas é verdadeiro.

A continuidade de um trabalho faz com que o treinador passe a conhecer cada vez mais seus atletas, possa dispô-los de forma cada vez mais produtiva em campo, trabalhar alternativas através de substituições ou de simples reposicionamentos.

Continuo sendo favorável ao calendário cheio, embora a Copinha não tenha deixado ao Pelotas o legado esperado, seja em atletas e menos ainda no modelo de jogo.

Pela Série A do Campeonato Brasileiro é hora de mais um clássico gaúcho. E o Gre-Nal tem favorito sim, e é o Grêmio. O que traz esse favoritismo é o atual momento tricolor.

Traçando um paralelo com o confronto Pelotas x Caxias, aqui é o Grêmio que vem de um trabalho mais longo, com erros e acertos que são comuns no esporte, mas com uma filosofia bem definida e conhecida dos jogadores, que permite ao clube não fazer contratações, mas sim reposições, que é quando o clube vai ao mercado sabendo exatamente qual perfil precisa ser contratado.

O Inter é o oposto disso, um treinador novo, com trabalho interrompido pela pandemia, que chegou com a missão de implantar uma nova maneira de jogar, mas está recebendo críticas como se mudar uma forma que o time joga pelo menos nos últimos dois anos fosse feito em poucos meses, quando houve muitos jogos e, consequentemente, pouco tempo de treinamento.

Espero que, independente da série que disputa, quem contratou o treinador tenha a convicção de continuara creditando no seu trabalho, e que estes, por sua vez, sejam suficientemente flexíveis para não confundir convicção com teimosia, e entender que fazer adaptações não significa abrir mão de convicções, pelo contrário, são caminhos diferentes de consolidá-las

Para o bem do futebol a vitória da continuidade sempre é bem-vinda.

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