Arte: Rede Esportiva

A estreia áureo-cerúlea na Série D foi marcada por um jogo atípico. A expulsão de um atleta logo no início acabou por alterar a proposta de ambas as equipes. O Pelotas ocupou o campo do adversário, empurrando-o para dentro da sua área. Já o Marcílio Dias assumiu uma postura totalmente defensiva e arriscava-se somente em algumas saídas rápidas.

Atrevo-me a dizer que a superioridade numérica trouxe problemas adicionais ao Pelotas. Numa situação de 11×11 o Lobo certamente seria mais atacado, porém teria a seu favor valiosos espaços que o adversário poderia vir a ceder, especialmente ao executar as transições.

Mas o que vem a ser as transições?
Elas podem ser explicadas da seguinte forma: um atleta tem uma determinada posição/função quando seu time está atacando (ou defendendo) e tem uma posição/função diferente no momento oposto. Este encaixe, este lapso de tempo que demanda até o correto reposicionamento, é o momento onde ocorrem muitos gols. No popular é a chamada “defesa fora do lugar”. Um exemplo disso é a bola nas costas do lateral, que nada mais é do que usar o espaço onde o lateral deveria defender para atacar enquanto ele (o lateral) está numa ação de ataque e ainda não teve tempo de reposicionar-se.

Quando o Marcílio Dias teve um atleta expulso logo no início da partida, abriu mão de atacar. Fazendo isso, em tese ofereceu menos riscos ao Pelotas, mas também não cedeu os valiosos espaços proporcionados pelas transições, colocou todos os atletas atrás da linha da bola e deixou que o Lobo resolvesse o problema, visto que o empate fora de casa era um bom resultado, ainda mais em inferioridade numérica.

A superioridade numérica não é necessariamente garantia de bom resultado. Após a expulsão o Marinheiro se mostrou um adversário forte e com uma proposta bem definida. Só para lembrar que antes do gol do Pelotas quem havia sido ameaçado era o goleiro Renan, inclusive com um gol anulado. Isso porque o Pelotas era quem tomava a iniciativa do jogo, logo, era quem se expunha, era quem oferecia espaço para as transições, algo que o Marcílio não fazia.

Retornar sempre para o posicionamento defensivo exige uma demanda física. Quando a equipe abdica de atacar, também acaba por não abandonar, ou abandonar em raras oportunidades, o posicionamento defensivo. Se com a bola é necessário uma série de fatores, combinações e acertos para chegar ao gol, sem ela só é preciso atenção, e isso o Marcílio Dias teve de sobra, tanto que só tomou o gol no fim do jogo.

Por tudo isso, e somando-se ao fato de estar há muito tempo sem jogar, o Pelotas tem muito a comemorar em sua estreia, visto que apresentou aspectos positivos que muitas vezes o placar pouco dilatado tende a ofuscar. Sempre é bom iniciar vencendo. Isso traz a tranquilidade que o trabalho precisa para frutificar e evoluir dentro da competição.

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