Após boatos sobre uma possível volta ao Pelotas, o Rede Esportiva conversou com o diretor-executivo de futebol Rafael Farias. O profissional participou da montagem do elenco campeão da Divisão de Acesso do ano passado e nos últimos meses vem se dedicando a um curso da CBF.

Foto: Tales Leal / AI Pelotas

Confira a entrevista:

O que aconteceu entre a derrota do Real até a demissão?

A derrota para o Real nós não esperávamos, pela qualidade que o grupo tinha e pelo trabalho feito. Mas no futebol a gente sabe que tudo está propenso a acontecer e acabou ocorrendo o que não esperávamos. Em cima disso, a gente sabe que a nossa profissão se dá muito por resultado. Na hora, acharam melhor que acontecesse uma troca e foi mudado o planejamento para o Campeonato Gaúcho.

Fomos comunicados que precisaria de um novo fôlego, de um novo momento e o presidente achou melhor, na época, apostar em um novo projeto.

Torceu para o Pelotas no Gauchão?

Nós deixamos muitos amigos. Estávamos há um ano e meio à frente do clube, com amigos na diretoria e no clube todo. A gente sabia que grande parte do elenco tinha sido montado por nós, então, sim, a gente torceu pelo pessoal e pelo clube.

Foto: Tales Leal / AI Pelotas

O desempenho do Pelotas poderia ter sido melhor?

Fica complicado eu falar dessa parte de dentro de campo estando fora e tendo feito parte do projeto no início.

Você vem realizando cursos na CBF, certo? O que mais tirou de proveito?

Ainda estou participando do curso de gestão de futebol que é realizado pela CBF Academy. É um curso de oito módulos que começou no mês de março e vai até novembro sobre gestão de futebol: tudo o que envolve a gestão dentro e fora de campo. Ele ocorre na sede da CBF, no Rio de Janeiro.

Rafael ao lado de Alessandro, Ricardo Rocha e Pedrinho, no curso da CBF (Foto: arquivo pessoal)

Apesar de ter feito até agora apenas o primeiro módulo, a gente pode estar sempre por dentro das atualidades do futebol, tirando muita experiência também com outros diretores de clubes, como Ricardo Rocha, Pedrinho, Alessandro, do Corinthians… Os demais colegas também têm muito a agregar, como o vice-presidente de futebol do Ceará, o presidente do Fortaleza, o executivo do América-MG. Então conseguimos tirar bastante proveito, trocar experiências, para estarmos preparados para os próximos objetivos.

Como foi o estágio na Chapecoense? O que pode trazer do Case Chapecoense para a vida profissional?

O estágio na Chapecoense também foi muito importante, pude realizar observações dentro do departamento de futebol profissional da Chape: o dia a dia, como funciona a rotina diária de um grande clube, as tomadas de decisões, como é que funciona o departamento de futebol de um grande clube, relacionamento diário, a gestão de pessoas, principalmente…

Foto: arquivo pessoal

Apesar de ser um clube de Série A, é um clube de interior, que começou com uma estrutura menor, que não tinha série, foi para uma Série D, buscou e alcançou tudo traçando metas, traçando objetivos. Isso foi muito importante pra gente ver e observar como é que se deu esse projeto e aonde eles estão hoje, pra gente poder aplicar em um próximo trabalho.

Tive acesso livre a todos segmentos do clube, desde a parte de cozinha, comunicação até a análise de desempenho. Foi muito importante também estar por dentro de como eles fazem a prospecção de novos atletas, como eles analisam reforços e quais as características e perfis que analisam primeiro para fazer as contratações e evitar ao máximo os erros.

A rotina diária de treinamentos e de jogos também pôde ser acompanhada. Tive contato diretamente, toda semana, com o Newton Drummond (o Chumbinho, ex-Inter), que foi quem me fez o convite. Durante esse período tive contato também com o ex-executivo do Palmeiras na gestão Parmalat, o Brunoro, que foi contratado pela Chape, então pude adquirir bastante experiência com ele. O próprio Claudinei Oliveira, que era treinador da equipe na época, me recepcionou muito bem dentro do vestiário, apresentou a metodologia de treino, de alguns trabalhos específicos, e tive ainda a oportunidade de acompanhar a logística para um jogo da Sul-Americana – como ela se dava em um jogo da Conmebol.

Existe um murmurinho sobre sua volta ao Lobo. Como você enxerga isso?

Até o momento não fui procurado por ninguém do clube, mas a gente sempre vê com bons olhos retornar para onde a gente passou e deixou um bom trabalho. Isso é fruto do trabalho que nós fizemos à frente do Pelotas para recolocá-lo na Primeira Divisão, por termos formado um belo time na Divisão de Acesso e por termos deixado também uma boa base para o Campeonato Gaúcho. A gente sempre fica feliz em deixar as portas abertas e não descarta um retorno, caso um possível convite venha a acontecer.

Foto: Tales Leal / AI Pelotas

Recebeu convite para trabalhar nos últimos meses em outros clubes?

Eu tive sondagens de um clube do Nordeste que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro, com o qual ainda tenho conversas e ainda existe a possibilidade. Também tive sondagens de um clube da Divisão de Acesso deste ano, mas pela aproximação do fim da competição a gente conversa caso o clube continue com interesse em disputar uma copinha e suba no Campeonato Gaúcho também.

Algum clube do Interior vem te chamando atenção por estar fazendo boas contratações?

Acompanhei bastante o Campeonato Gaúcho, viajei praticamente todo o campeonato acompanhando os jogos porque faz parte da nossa profissão também estar adquirindo conhecimento de novos atletas, fazendo a prospecção de jogadores. Um time que desde o início da competição eu comentava que tinha um perfil muito interessante de contrações era o São Luiz. Tinha atletas bastantes experientes no Campeonato Gaúcho e trouxe jogadores como o Marcão, que é um jogador consagrado, rodado, acostumado com Série B de Campeonato Brasileiro. O São Luiz soube agregar uma comissão técnica experiente e ao mesmo tempo um grupo qualificado para disputar o Campeonato Gaúcho.

O Caxias, campeão do Interior, tem uma característica de fazer contratos mais longos com seus atletas e em cima disso consegue fazer a prospecção de alguns atletas que vêm por causa desse contrato um pouco mais longo. O Caxias é um dos clubes no estado que mais aposta em atletas de outros estados e sempre com bons nomes.

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