Foto: Victor Lannes

Em entrevista ao repórter Marcelo Prestes, da Rádio Universidade, o ex-atacante do Pelotas Giancarlo relembrou alguns momentos na Boca do Lobo e comentou que a equipe campeã da Divisão de Acesso em 2018 poderia estar brigando pelo título do Gauchão neste ano.

Segundo ele, a união do grupo e o ambiente familiar fizeram toda a diferença para que o Lobo desempenhasse a boa campanha de 2018. “Esse time da Divisão de Acesso estaria brigando na parte de cima do Gauchão esse ano. Modéstia parte, eu sei quem o Pelotas contratou, tem jogadores experientes e jogadores rodados mas a diferença é o extra-campo”, afirmou.

Foto: Tales Leal / AI Pelotas

“Não apenas nós jogadores, mas a comissão, o pessoal dos bastidores, as tias da cozinha, pessoal da fisioterapia, todo mundo que trabalhava e dava suporte para gente. Se formou uma família que em poucos clubes eu vi. É difícil existir isso em time grande. Deixamos as vaidades, todas eram pessoas simples e estavam para o mesmo lado, torcendo um para o outro. Foi por isso que ganhamos o título e subimos. Conversei com o pessoal daí desse ano e me falaram que depois daquele grupo o vestiário nunca mais foi o mesmo. É muito difícil encontrar isso no futebol. Eu passei em 37 clubes, se em seis ou sete teve essa família é muito”, comentou.

Um jogo marcante para os áureo-cerúleos nessa época foi as quartas de final contra o Esportivo. O Pelotas havia perdido o jogo de ida e conseguiu uma virada histórica na Boca do Lobo, por 3 a 0. Giancarlo descreveu o sentimento dessa partida e contou detalhes dos bastidores.

“A gente sabia da nossa força e estávamos tranquilos porque tínhamos certeza que conseguiríamos o resultado. Não é fácil ter essa certeza com um resultado de 2 a 0 para reverter. A semana não foi nada fácil, parece que foi nossa pior semana na Divisão de Acesso. Os trabalhos não davam certo, o Paulo (Porto, técnico) mudava uma coisa, mudava outra… Nesse jogo a gente precisava ser mais ofensivo e eu conversei com os guris que a gente precisava alertar o Paulo, dar a nossa opinião porque ele é um cara adepto. Ainda mais com a gente que é mais experiente, ele ouve. Fui falar com ele e disse: “professor, precisamos jogar mais ofensivo, o que tu achas de botar o Jean Roberto de segundo volante e colocar um meia?”, se não me engano o Xuxa, e ele fez isso. Conseguimos o resultado”, contou.

Foto: Tales Leal / AI Pelotas

Após a passagem pelo Pelotas, o atacante foi para o Sergipe e atualmente está no Brasil de Farroupilha. “Eu tava pensando em pendurar as chuteiras, parar, fazer uns cursos, virar a chave e me especializar para ver se viro treinador. Aí recebi uma ligação do pessoal do Brasil de Farroupilha e são meus amigos, tive uma passagem pelo Brasil na época de base (…) então eu agarrei a ideia, já que são dois ou três meses”, explicou.

Mas, em um futuro não muito distante, o jogador pretende trocar as as chuteiras pela casamata. “Eu quero continuar no futebol. Vou fazer os cursos de treinador, que tem que fazer, vou me especializar e vou tentar. Tem que começar do zero, como se fosse uma carreira de jogador, começando em um clube pequeno ou futebol de base, assim a gente vai galgando, ninguém começa lá de cima, são poucos”, disse.

Ao destacar um técnico que o inspira, Giancarlo preferiu citar as características que acha importante para a profissão. “Admiro os treinadores que têm o grupo na mão. Peguei treinadores que faziam com que todos os jogadores rumassem pro mesmo lado e tivessem o mesmo pensamento. Muricy Ramalho falou esses tempos que o maior objetivo do treinador é conseguir levar todos os jogadores para o mesmo pensamento”, falou.

Foto: Tales Leal / AI Pelotas

 

 

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