Foto: AI Arapongas


Jorge Arnaldo Pereira (Preá) | Atacante | 35 anos | Natural de São Paulo/SP

Poucos sabem. Mas foi em uma peneira na pequena cidade de Iracemápolis, no interior de São Paulo, onde a história de Jorge Preá começou a ser vinculada ao Pelotas.

Promovido pela AGS, empresa que em 2007 viria a comandar o futebol áureo-cerúleo, o teste envolveu em torno de 30 jogadores que, por duas semanas, fizeram amistosos e treinos em uma chácara. Observados pelo técnico Walmir Louruz, pelo preparador físico Manoel Liles, o Canela, e por César Sampaio, dono do negócio de gestão esportiva, 17 integrantes do grupo aprovaram. Preá, que em 1999 já havia tentado virar profissional após dois meses de testes no terrão do Corinthians, foi um deles.

Fazendo jus à confiança do Pelotas em seu futebol, Jorge Preá não demorou para engrenar na Boca do Lobo. Com a missão de ajudar o clube na Divisão de Acesso, estreou com três gols frente à torcida azul e ouro. E outros 15 gols o fizeram encerrar como artilheiro da competição. Foram 18 vezes que balançou a rede: três a mais do que Gilian, vice-artilheiro, e o dobro de gols marcados por Flávio Dias, companheiro de ataque no Lobo.

“Até hoje vejo alguns vídeos de gols marcados pelo Pelotas e sinto saudades daquela galera apoiando”

 


Os gols de 2007, no entanto, ficaram no passado. Um ano depois, sem receber, Preá deixou o Pelotas (ele ainda viria a cobrar honorários judicialmente do áureo-cerúleo) e acertou com o Palmeiras a pedido de Vanderlei Luxemburgo. As chances, porém, não foram frequentes e, assim, foi emprestado algumas vezes.

Rodando por clubes de menor expressão, Preá passou a ter o nome menos badalado. Até que, em 2018, fez uma pausa no esporte. Casado e esperando o quinto filho, estava desanimado com a falta de pagamento no futebol – segundo Lucas de Moraes, diretor do Arapongas, as dívidas de clubes com o atleta chegam a R$ 500 mil. Preá então trabalhou limpando bueiros nas principais vias de São Paulo até recentemente. E foi justamente por essa história curiosa que voltou à cena, em reportagens publicadas por vários veículos de grande repercussão.

A boa relação com Lucas, da Terceira Divisão do Paraná, porém, ajudou Jorge Preá a voltar aos gramados. Isso, aliado a outro fato: a prometida estabilidade profissional. “Estava querendo voltar a jogar. Aceitei por ser um projeto de dois anos de contrato, que dá uma segurança maior, e por haver um planejamento bom”, explica, em entrevista exclusiva ao Rede Esportiva.

Foto: AI Palmeiras

Retorno à Boca do Lobo?

Mais de 10 anos depois de despontar para o futebol profissional, o atacante mostrará uma nova característica aos torcedores do Arapongas em 2019. Apelidado na infância de Preá justamente por conta da velocidade que lembrava à do mamífero roedor, ele admite: “A velocidade não vai ser a mesma que tinha no Pelotas, jogando pelo lado. Agora jogo com mais experiência, sabendo os atalhos do gramado.”

Consciente, Preá sabe também que o retorno ao Pelotas hoje não é algo tão próximo. Sentimento diferente do que guarda em sua memória afetiva. “Sempre acompanhei e sigo acompanhando (o clube). Agora na Primeira Divisão, ganhou do Inter no Beira-Rio. Naquela época (em que atuou no Pelotas), inclusive, queria ter deixado na Primeira. A torcida tinha um grito ‘ôôô, Jorge é melhor que Eto’o’. Me dava gás e deixava emocionado. Até hoje vejo alguns vídeos de gols marcados pelo Pelotas e sinto saudades daquela galera apoiando. É um clube que tenho um carinho muito grande. Se fosse o desejo dos dirigentes e se fosse bom para minha família, claro que voltaria”, confessa.

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