Por Felipe Amaral, torcedor do Pelotas

Foto: Tales Leal / AI Pelotas

O Esporte Clube Pelotas, enfim, está de volta ao Campeonato Brasileiro.

Desde 2014 afastado do calendário nacional, teremos um 2020 para quebrar esse jejum. Há quem menospreze uma vaga na Série D, quem considere insignificante. Principalmente pelo fato de ter o Brasil hoje como um time estabilizado na Série B, há quem desdenhe do campeonato e dos adversários pelos quais o Pelotas trilhou o caminho até esse aguardado retorno.

Entretanto, para os torcedores de verdade, este é um passo muito importante, sim! E deve ser comemorado!

O Pelotas passou por inúmeras dificuldades desde aquele 2014, ano em que acabou, inclusive, rebaixado à Divisão de Acesso. Desde então, foram algumas tentativas de retorno à elite do Gauchão, sempre rodeado de muita pressão. E a cada insucesso, aquele sensação terrível de ter falhado e saber que no ano seguinte seria aquele inferno novamente.

Foram anos de muita crise no Clube como um todo. Além das quatro linhas. Na verdade, o campo torna-se o reflexo de tudo que acontece fora dele. Mas verdade seja dita: a torcida nunca saiu do lado! Alguns anos mais, outros menos, mas sempre que foi preciso, esteve junto. É uma característica marcante da torcida do Pelotas, e não foi diferente nessa nova fase.

No ano passado, o aproveitamento foi de 100% na Boca do Lobo durante a campanha que sacramentou o retorno do Pelotas à elite do futebol gaúcho. A sinergia entre aquele time e torcida era realmente contagiante.
No segundo semestre, novamente a sensação de impotência, ao falharmos em busca do calendário nacional.

No Gauchão 2019, vindo de uma Divisão de Acesso, o Pelotas se manteve na Série A. Mesmo depois de um bom começo, uma queda brusca de rendimento não nos levou à próxima fase. Mas ok. É pouco, porém importantíssimo tratando-se de um ano de retorno. O principal era a manutenção.

Chegou então a Copa Seu Verardi, numa entediante primeira fase – assim como era o futebol do time – sob o comando de Felipe Endres. A posterior mudança no comando técnico, transformou-se quase que imediatamente para dentro do campo. Antônio Picoli deu vigor e objetividade à equipe. Passou a buscar muito mais o gol, se impor e abastecer mais o ataque. O reflexo, principalmente deste último fator, ficou evidente nas quartas de final, com um Giovane Gomez cirúrgico e devidamente abastecido, deixando a sua marca cinco vezes no confronto.

Chegamos à semifinal já com objetivo principal do semestre alcançado. Nossos adversários diretos pela vaga na Série D ficaram pelo caminho. E isso não diminui em nada essa conquista e o que ela representa. Por tudo que passamos, merecemos, sim, comemorar essa conquista. Uma reconstrução não se faz de uma hora para a outra. E o Pelotas segue com esse processo em desenvolvimento.

Se pararmos para analisar, iniciávamos 2018 na Divisão de Acesso e sem competições nacionais. Estamos encerrando 2019 na elite do Gauchão e com um Campeonato Brasileiro para 2020.

A comemoração da torcida do Pelotas é absolutamente legítima e merecida. Muito merecida. A torcida é o maior patrimônio de qualquer clube. Tão legítimo quanto a classificação é o nosso sentimento, tudo que o Clube nos causa, seja nos momentos difíceis, seja nos alegres.

A gente sente tanto, mas tanto, os momentos difíceis… Não vamos comemorar os bons por quê?

É um primeiro passo, apenas. Mas era o que tínhamos para o momento. Não adianta mirar o longe se não houver o primeiro passo. Que venha o resto da caminhada.

Nós estamos prontos! Sempre lado a lado!

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