Arte: Rede Esportiva

Desde que o mundo é mundo, existem alguns mantras que seguem sendo atuais no esporte mais popular do planeta. Veja bem, estimado leitor, o que falo aqui pode não ser exatamente a minha opinião, mas é um relato histórico: em qualquer situação que a paixão esteja envolvida, vai existir cobrança. Cobrança de atenção, de reciprocidade, de que as coisas saiam como o planejado (ou próximo disso). E no esporte mais passional da história, isso não muda. A cobrança, por resultados e/ou boas atuações existe e sempre vai existir. Independente de com quem ou aonde. É o ideal? Talvez não seja totalmente certo. Mas é assim. Vejam vocês o exemplo de Paulo Roberto Falcão, o maior ídolo da história do Internacional, quando veio para mais uma passagem como técnico do clube, no trágico 2016. Falcão chegou no clube em julho daquele ano, com a missão de fazer com que o Inter reagisse e não fosse rebaixado ao término do campeonato. Em meio ao verdadeiro horror que foi aquele ano para o colorado, Falcão durou 22 dias à beira da casamata do Beira-Rio. Errado? Óbvio. Mas é assim que a cultura do resultado está impregnada no futebol brasileiro, e ela não vai mudar. Seu contrato era de um ano. E era Paulo Roberto Falcão.

Fiz esse preâmbulo para situar os amigos. Por mais que todos saibamos o que é certo e errado, e estarmos cansados de saber dos erros de avaliação por parte dos dirigentes, não podemos achar que somos Quixote, lutando contra moinhos, nos quais ele tinha certeza em que eram monstros enormes, no romance escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes. Então, meus caros: a cultura do “resultadismo” está impregnada. E tu, eu e tantos outros seguirão cobrando por isso. Estranho vai ser quando não houver cobrança.

O Grêmio Esportivo Brasil vive isso hoje: mesmo que 2020 seja um ano totalmente atípico, mesmo que os erros na montagem do elenco tenham sido grosseiros, mesmo que tenha ocorrido uma parada de mais de 100 dias, mesmo que os reforços ainda estejam chegando, mesmo que Hemerson Maria dê boas entrevistas e tenha sido campeão da série B em 2013, ele não pode estar isento de cobranças. Todos estamos acostumados a vermos times com limitações técnicas bem claras aqui na aldeia, mas algo tem de se sobrepor ante a falta de qualidade. Já neste Brasileirão, Paulo Autuori, técnico do Botafogo, fez esta consideração: “Sabemos das nossas limitações, por isso temos que ter atitude para suprir nossas carências.” E acho que é isso que hoje mais está em falta na rua João Pessoa. Conversando com amigos xavantes, noto isso. Eles, por óbvio, falam da falta de qualidade, mas se mostram insatisfeitos pelo excesso de zelo defensivo de Hemerson Maria.

Por outro lado, entendo o comandante Xavante. Falta qualidade para vencer, que se faça algo para não perder. Mas aí acabamos voltando ao começo do texto: envolve paixão. A torcida do Brasil, mesmo ciente das dificuldades, não vai se submeter a isso. E vamos combinar que o nível é baixo no geral. Tire cinco ou seis clubes, o restante é todo meio parecido. Por isso minha insistência: com responsabilidade, dá para tentar um pouquinho mais. Dá para tentar ser feliz.

Se faltar qualidade, que sobre atitude. Se falta a torcida na arquibancada, que sobre raça no campo. É tudo muito complicado, eu sei. Mas se Hemerson Maria seguir agarrado em suas convicções, as dificuldades tendem apenas a aumentar. E o Brasil já tem problemas demais para ter eles em maior escala, não é mesmo?

Que fique claro que não estou pedindo que o Brasil troque de técnico. Acho que nem é o momento ainda, mesmo que em oito jogos o Brasil tenha tido apenas uma vitória. Peço que Hemerson Maria tenha atitude. Não são os fatos das boas entrevistas ou do título de 2013 que vão fazê-lo ser imune às críticas. É obrigatório fazer mais, para uma reação no campeonato. E é preciso que ela já comece neste domingo (30), contra o Operário. Não dá mais para esperar.
Coragem, professor!

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