Imagem: divulgação

Quem acompanha futebol há mais tempo lembrará que, nos anos 70 e 80, as escalações eram métricas que terminavam em três nomes: o ponta direita, o centroavante e o ponta esquerda.

Depois passamos pelos anos 90 quando as escalações terminavam com dois atacantes e o meio era formado por dois volantes e dois meias, ou um meia e o chamado quarto homem, normalmente aquele que jogava pelo lado esquerdo, mais pela ausência de canhotos no mercado do que por opção. Foi a década do quadrado no meio e dupla de atacantes.

O Brasil do último jogo contra o Guarani recuperou, de certa forma, os dois ponteiros, agora denominados extremas, com a perna correspondente, ou seja, o destro jogando pela direita e o canhoto pela esquerda. Isso remete a buscar jogadas pelo fundo sem depender necessariamente do apoio dos laterais, provavelmente uma estratégia visando atacar alguma fraqueza do adversário. O contraponto destes ponteiros com o pé correspondente é justamente utilizá-los com o pé invertido, como construtores, trazendo o jogo pelo meio e desta forma aproximando-se do meia, priorizando mais as aproximações do que os cruzamentos e abrindo os corredores para o apoio dos laterais.

Já no setor do meio, normalmente são utilizados três jogadores (excluindo os beiradas), o que varia é o desenho que eles formam. Partindo de um triângulo, podemos imaginar que seu vértice esteja mais próximo da linha defensiva e quando o time vai a campo com este desenho é um indicativo de que vai se defender num 4:1:4:1. Quando este vértice está mais próximo do setor de ataque, é um indicativo de que o time vai defender no 4:4:2, com duas linhas de quatro.

Quando o vértice está próximo da própria defesa, há um atleta designado para tirar o jogo entre linhas do adversário. Quando o vértice está mais próximo do ataque e os dois volantes jogam em paralelo, o risco é a bola entrar entre eles, numa zona que acaba por ficar sem cobertura. Daí decorrem duas situações que levam perigo: uma é tirar um zagueiro da linha defensiva para proteger as costas dos volantes, e, a segunda, decorrente dessa, é quando os volantes correm de frente para o próprio gol, numa demonstração clara de que aquela linha defensiva foi ultrapassada, o que não é um bom sinal.

Contra o Guarani o Brasil recuperou a métrica no ataque e fez uso dos volantes em paralelo. Qual a melhor opção? Como quase tudo no futebol, é necessário conhecer as características dos seus atletas bem como as do adversário.

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