Foto: Carlos Insaurriaga / AI Brasil

Há dois anos o atacante Lincom, com passagem pelo Brasil, foi suspenso dos gramados por doping. Na época, o jogador recebeu uma punição de quatro anos. Trabalhando em outras atividades, ele falou sobre o assunto e relembrou momentos no Xavante em entrevista ao repórter Marcelo Prestes, da Rádio Universidade.

Quando recebeu a notícia do resultado positivo para doping, Lincom estava no elenco do Vila Nova, mas o exame foi da época em que atuava pelo Santo André, no Campeonato Paulista.

“Logo depois que saí do Brasil, em um dos primeiros jogos de 2018, foi detectado um nível alterado e elevado de testosterona no meu organismo. Fui suspenso com a pena máxima”, comentou.

Para Lincom, a sentença não foi justa, mas vem sendo cumprida e superada diariamente. “Hoje já passou um pouco da revolta, faz quase três anos (…) Provei que tinha um suplemento contaminado, eles acreditaram mas deram a entender que ninguém colocou aquilo na minha boca. Acho que foi radical, severo demais, quatro anos. Em 17 anos como jogador profissional fiz mais de 30 exames antidoping, no mínimo, e nunca tive nenhum problema. Como réu primário, digamos assim, acho que se eu pegasse um ano já seria o suficiente, seria sofrido. (…) A impressão que me passava é que queriam me ferrar”, desabafou.

Os problemas envolvendo a profissão acabaram causando danos em outras áreas da vida do atleta. No ano passado, o jogador revelou uma depressão e problemas com álcool ao site Globo Esporte. Ele contou que o trabalho foi a sua principal válvula de escape nesse período. “O pessoal me chamava para jogar, e eu não saía. Ficava tomando cerveja sem parar. Meu pai tem um bar aqui. Eu bebia da hora que chegava até a hora de dormir. E repetia todo dia essa rotina. Se eu não tivesse essa loja, local onde eu venho todos os dias, não sei o que aconteceria. Aqui eu ocupo minha cabeça, quando vejo já são 18h e está na hora de ir embora”, falou na ocasião.

O trabalho no qual o jogador se refere é a administração de uma papelaria. Além disso, desde janeiro também trabalha em uma rádio, onde participa de programas esportivos diariamente com comentários.

Com 34 anos e uma suspensão de quatro, poderia ser este o cenário para uma aposentadoria, mas não era esse o final de carreira sonhado por Lincom, campeão brasileiro com o Corinthians em 2015. “A minha intenção é voltar a jogar futebol, não quero manchar 17 anos de profissional e dizer que o doping encerrou minha carreira. Isso não vai acontecer. Nem que eu volte a jogar três meses apenas. Já passou dois terços da pena e acredito que no final do ano que vem consiga algum clube para voltar ao futebol”, disse.

Foto: Carlos Insaurriaga / AI Brasil

Memórias no Xavante

Lincom esteve no Brasil em 2017 para a disputa da Série B e foi o segundo na artilharia xavante, com oito gols, atrás de Rafinha que marcou nove vezes. “Tenho ótimas lembranças, só boas lembranças. Principalmente do torcedor. É o torcedor mais apaixonado que tive o prazer de estar atuando. Todo mundo que joga aí fala isso (…) Acabei marcando gols importantes e fiz bastante passes também. Acho que foi o clube que mais dei assistências”, lembrou.

O camisa 9 relembrou o gol marcado na partida contra o Guarani, pela Série B. “Tava chovendo, o Misael me deu um passe forte e na hora que eu dominei escapou devido a bola molhada. O goleiro foi dar um chutão, tenho a perna comprida, estiquei e ela bateu e acabou entrando. Bateu na canela mesmo. É oportunismo, o faro, eu sempre gostei de fazer gol”, falou.

 

 

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