Foto: Jonathan Silva / AI Brasil

Em abril do ano passado, Lincom estava no elenco do Vila Nova quando foi suspenso dos gramados. A medida foi tomada após saírem os resultados positivos no exame antidoping do jogador enquanto jogava pelo Santo André, no Campeonato Paulista. O atacante ainda tem três anos de suspensão a cumprir, mas ainda cabe recurso para essa decisão.

Longe do futebol, Lincom está se dedicando a cuidar de uma papelaria no interior de São Paulo. Ao repórter Renato Lavezo do GloboEsporte.com, ele contou como essa mudança brusca na própria vida aconteceu. Falou sobre os dramas com o exame de antidoping e a suspensão. “Eu estava no Santo André e, no segundo jogo do Paulistão, fiz o exame normal. Já tinha feito mais de 30 vezes. Aí continuei jogando. Acabou o campeonato, e eu fui para o Vila Nova. No segundo jogo, como titular do time, contrato bom, salário legal, eu recebi o e-mail. Eu li umas três vezes e vi que tinha sido flagrado no doping “, explicou.

Não acreditando no acontecido, ele foi buscar os possíveis motivos do resultado com o nutrólogo que havia indicado suplementos alimentares no período em que ele se recuperava de uma cirurgia. “Eu desconfiei e contei para ele o que tinha acontecido. Aí ele foi atrás. Mandamos todos os frascos para análise fora do Brasil e, depois de dois ou três meses, o exame apontou exatamente a mesma substância que tinha sido encontrada”, contou.

Lincom estava no elenco do Corinthians campeão brasileiro em 2015 (Foto: Daniel Augusto Jr / Ag. Corinthians)

Além da carreira, ele também teve prejuízos financeiros. Contratou advogados e chegou a perder o dinheiro das passagens para ir a uma audiência que acabou sendo cancelada de última hora. Embora a vida tenha seguido e esteja cuidando dos negócios da família, ele não escondeu a frustração em ter parado de jogar futebol e contou à reportagem os momentos difíceis que teve em sua rotina após a notícia.

“Eu fiquei mal, né? Eu tomava muita decisão errada. Perdi R$ 350 mil. Não tinha vontade de sair de casa. O pessoal me chamava para jogar, e eu não saía. Ficava tomando cerveja sem parar. Meu pai tem um bar aqui. Eu bebia da hora que chegava até a hora de dormir. E repetia todo dia essa rotina. Se eu não tivesse essa loja, local onde eu venho todos os dias, não sei o que aconteceria. Aqui eu ocupo minha cabeça, quando vejo já são 18h e está na hora de ir embora”, desabafou.

Aos 35 anos, o atleta ainda vê possibilidade em voltar a disputar competições. “Gostaria de ter terminado quando eu achasse que estava na hora, não da forma como foi. Eu penso em voltar. Ainda tenho mercado na Série B, mas ainda não sei como será”, disse.

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