Foto: Victor Lannes

O lateral-direito Maicon Campagnolo comunicou o seu desligamento do Brasil na tarde desta quinta (23) e desabafou sobre os acontecimentos envolvendo a sua saída. O atleta reclamou por estar impedido de trabalhar e não receber. Em entrevista à Rádio Universidade, o advogado do Xavante, Márcio Valli, também comentou a situação.

Após a parada dos treinamentos o jogador não voltou a treinar com o elenco xavante. Nesta quinta, através das redes sociais, Maicon expôs sua versão dos fatos. De acordo com ele, está há 34 dias impedido de treinar e o clube não o libera. “Faz 34 dias que eles dizem “entre hoje e amanhã resolveremos” e não deixam eu treinar. Querem pagar um valor que não é o (certo) por lei. Fiz a proposta para entrarmos em um acordo, abri mão de uma parte e parcelar 50%, porém querem me dar um valor menor. Na verdade o meu direito é receber 100% do contrato dentro de 10 dias, pois estão me mandando embora sem nenhum motivo, apenas por opção. Não quero criar atritos e ir a ferro e fogo. Eles não resolvem e não me dão a rescisão então estou aqui sem trabalhar e preso no clube sem poder seguir minha vida”, desabafou.

De acordo com Campagnolo, a decisão por não o utilizar veio do treinador Hemerson Maria, enquanto os jogadores ainda estavam treinando em casa. Ainda segundo o jogador, o clube já realizou o pagamento dos demais jogadores, porém não o pagou. “Ontem (quarta) eu ouvi do Ricardinho que, se de fato eu não aceitasse o que eles tinham pra fazer, era para procurar a justiça. Então é bem assustador ver essa frieza de alguém que acabou de vir de um processo judicial correndo risco até de rebaixamento”, contou em entrevista à Rádio Universidade.

O que diz o clube

Também em entrevista à Rádio Universidade, Márcio Valli, advogado do Brasil, posicionou-se sobre a situação envolvendo o atleta e o clube. Ele informou que, em um primeiro momento, a tentativa do clube foi de emprestar o atleta, o que se tornou inviável devido à parada do futebol por conta da pandemia. O advogado disse também que o clube conversou com a comissão para ver se não havia a possibilidade de aproveitar Maicon no elenco.

Além disso, afirmou não saber o motivo pelo qual o jogador não foi autorizado a participar dos treinamentos por videoconferência. Em relação à liberação do atleta, o advogado falou que o termo de rescisão de contrato foi feito no dia 13, e que este teve de ser corrigido a pedido do próprio advogado, por haver um valor menor do que o acordado. “Do dia 13 até hoje, o Maicon deixou de ser funcionário do clube, apesar de não ter assinado o termo de rescisão, porque a gente vem tentando negociar com ele uma forma de pagamento. O rompimento do contrato dele não era esperado pelo clube dessa forma”, disse.

Valli completou que o clube ainda está tentando uma negociação. “Eu estou tentando, pelo departamento jurídico, resolver a situação inclusive compondo e homologando uma justiça de trabalho, fazer uma segurança para o atleta, mas até o momento a gente não conseguiu alinhar esse acordo”, disse o advogado.

Questionado sobre pagamento dos salários, Marcio Valli rebateu: “Na verdade tem um salário vencido, que é o com vencimento no dia 5 ou 10 de julho, que é o que está pendente porque nós estamos negociando com ele para pagar tudo na rescisão. Até porque, a liberação do valor para pagamento dos salários dos funcionários e atletas, foi nessa semana somente. Não foi só ele que não recebeu. Todo funcionário e colaborador estava pendente desde o vencimento até o momento por uma situação de cunho financeiro interna (…) O que está vencido neste mês, foi pago essa semana. Mas o dele estava compondo o valor esse do acordo que a gente estava tratando”, comentou.

Sobre a orientação do presidente Ricardo Fonseca ao jogador para procurar a justiça caso não aceitasse o que era proposto pelo clube, o advogado detalhou: “Na verdade, o que foi orientado foi que a gente faria o acordo para ir à justiça do trabalho homologar e ele ter uma segurança. Em relação a ele ir à justiça, não houve essa orientação”, concluiu.

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Colaborou: Felipe Monterosso

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