Foto: Carlos Insaurriaga / AI Brasil

Ainda com indefinições em relação ao futebol devido à pandemia de coronavírus, o Brasil aguarda orientações e recomendações para definir o retorno dos treinamentos. Por hora, o clube ainda não tem data para voltar às atividades. O vice-presidente e médico xavante, Gustavo Lahm falou sobre o assunto em entrevista à Rádio Universidade.

Na terça-feira (5) haverá uma reunião entre a Federação Gaúcha de Futebol e o governador do estado para a discussão de um possível retorno.

“Por mais que a Federação Gaúcha ou a CBF estipulem alguma coisa, em nenhum momento eles vão poder ultrapassar o que é uma determinação governamental. Ou seja, mesmo que tenha um protocolo estabelecido e recomendações, enquanto o governo municipal não permitir que haja a prática esportiva, pode a FIFA pedir para voltar que não voltará”, disse.

Em decreto da prefeita da cidade, Paula Mascarenhas, as atividades esportivas, incluindo academias, seguem fechadas ao público.

Em Porto Alegre, a partir desta segunda a dupla Gre-Nal foi liberada para voltar aos treinos com restrições e seguindo orientações específicas.

Foto: AI Grêmio

Foto: Gabriel Bolfoni / RBS TV

“Cada cidade vai avaliar sua posição em cada momento do ciclo local da doença. Essa é a grande dificuldade que está se encontrando para fazer uma adequação. Sabemos que São Paulo, Manaus, Fortaleza, Rio de Janeiro e outros são cidade que essa curva está crescendo na quantidade de contaminados e mortos. Essa não é a realidade aqui no Rio Grande do Sul, por sorte, tivemos um contingenciamento devido ao afastamento social. Para preservarmos esse mesmo estágio, não sabemos por quanto tempo será necessário essas medidas (…) Isso tende a se arrastar por mais um tempo e as decisões terminam dependendo muito da situação de cada município e estado”, analisou.

Mesmo após o encerramento dos 30 dias de férias dos atletas, a tendência é de que os jogadores permaneçam em casa. “Primeiro vamos esperar a cidade liberar para vermos como vamos fazer isso de uma maneira que tenha máximo de segurança para os atletas”, falou.

Além disso, para voltar às atividades com segurança seria necessário que todos os atletas e funcionários realizassem os testes da Covid-19, o que para Lahm, não é viável no Xavante.

“Uma das situações que está sendo postulada é a compra de testes. O Brasil infelizmente não tem condições de comprar a quantidade de testes que são necessários conforme algumas metodologias que foram cogitadas. Nem o Brasil, nem Juventude, Caxias, nenhum dos times do interior têm condições de fazer uma aquisição de um lote de testes rápidos. E muito menos com um laboratório de análises químicas e pagar de forma particular. As realidades de cada lugar diferem muito”.

Leia mais trechos da entrevista:

“No caso do Brasil não existe um desespero e uma vontade absoluta de voltar imediatamente. Claro que o Brasil quer disputar competições, quer que tudo se normalize mas dentro de uma forma que seja adequada para que a gente possa ter uma condição tanto competitiva quanto sanitária”.

“Os testes podem ter algumas falhas, que a gente chama de falsos negativos, por melhor a qualidade que seja o teste vão existir os falsos negativos e vão existir as janelas imunológicas, então tudo isso são complicadores e agravantes para que mesmo com testagem tenhamos uma dificuldade de estabelecer uma metodologia segura”.

“Já tiveram reuniões com a CBF, a Comissão Nacional de Médicos de Futebol vem debatendo e discutindo toda metodologia de como fazer em caso de retorno. Não existe um consenso em relação a isso, não foi estabelecido de forma definitiva. O que está tentando se fazer é adaptar porque as realidades dos clubes são muito diferentes. Uma coisa é o Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Grêmio, Inter… Outra coisa é o Brasil, Oeste, Juventude, times de Série B… Outra coisa é os times de outras categorias que menos poder econômico vão ter”.

 

 

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