Foto: Newcastle Jets/Twitter

Jair Eduardo Brito da Silva | Atacante | 30 anos | Natural de Pelotas/RS

A vida de Jair Eduardo Brito da Silva contrasta com o seu jeito, de fala mansa e olhar tranquilo. Quem se depara com o pelotense pela primeira vez, nem imagina tudo que viveu em uma década.

Neste período, Jair deixou de ser Romarinho, um atleta promissor do futsal, para voltar a ser o Jair nascido em junho de 1988. Mas numa nova versão. Agora, com carreira consolidada no futebol, empresário, falando mais de um idioma e com passagens por vários países.

O processo de maturação de Jair começou cedo. Em 2009, com apenas 20 anos, esteve no ônibus xavante que jamais chegou a Pelotas e que vitimou Milar, Régis e Giovani. Na ocasião, teve um trauma no tornozelo e não pôde disputar o Gauchão. Disputou a Série C. Em 2010, jogou a Divisão de Acesso – aquela marcada pela eliminação precoce – e foi emprestado por três meses à Ponte Preta. Voltou e fez dois jogos na Série C – o primeiro, com direito a gol sobre o Caxias (assista abaixo).

Aí, chegou a hora de Jair dar um novo passa na carreira. E um início a uma etapa da vida cheia de experiências internacionais. Após 21 gols pelo Brasil, o jogador foi vendido para o Jeju United, da Coreia do Sul. Era o início de sua peregrinação longe de casa, que também envolveu passagens pelo Japão, Emirados Árabes, China e Austrália. Tantos lugares que chega a ter dificuldades para escolher o favorito. “Todos me deram uma dose boa de adrenalina e realização. Mas se tiver que escolher um palco seria o Japão, e outro aqui na Austrália. Mas fui mais feliz na Coreia do Sul, num contexto”, conta, em entrevista exclusiva ao Rede Esportiva.

O contexto, aliás, ajuda a explicar o motivo pelo qual Jair acabou construindo carreira longe do Brasil. Quando perguntado se o aspecto salarial pesa para que venha criando laços cada vez mais fortes com o futebol asiático, ele admite: “Quando você se depara com todas variáveis que o futebol nos apresenta, como carreira curta, lesões, corrupção, consequências de uma fase em baixa e outras situações, é prudente se inclinar para os mercados onde estão as propostas mais altas”, admite. Ainda assim, garante os passos da carreira se deram naturalmente. “Foi ao natural, frente às propostas que recebi. Com a vantagem ainda de serem todos países desenvolvidos. O que me atribuiu muita educação, conhecimento de culturas diferentes e línguas”, conta.

“Quando libero meu imaginário, me vejo fazendo mais uns golzinhos na Baixada”

Atualmente no Newcastle Jets, da primeira divisão australiana, Jair veste a camisa 8. Um número que mostra que não foi só no extracampo que ocorreram mudanças na vida do jogador. “O ponta ou segundo atacante, de 10 anos atrás, virou extrema/ala. Hoje tenho que correr para marcar o tempo todo. (É assim) Desde que saí do Brasil. Alguns treinadores dão mais liberdade, outros não”, explica.

Planos para o futuro

 

Foto: Newcastle Jets/Twitter

Bastante consciente sobre o que é ser jogador de futebol, Jair já faz planos para o futuro. Empreendedor, com negócios no mercado imobiliário (ele administra imóveis em Pelotas e Santa Catarina) e uma lavanderia com conceito americano (a Lev&Tok, em Pelotas), projeta “construir um lastro financeiro até os 32 anos para então ter a condição de decidir parar ou jogar mais 1 ou 2 anos”, se assim se sentir confortável física e emocionalmente. Mas, enquanto não precisa tomar esta decisão, Jair se permite sonhar: “Aprendi a viver um dia de cada vez. Neste momento, penso em ficar aqui. Mas quando libero meu imaginário, me vejo fazendo mais uns golzinhos na Baixada, diante de amigos e familiares que só me assistem pela internet nesses últimos 9 anos”, diz, via internet, a mais de 15.000 km de Pelotas.

 

 

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