Fonte: TV Xavante

Ele só parou Zico…

Pense na atualidade do futebol e naquele jeito fácil de jogar, com preparo físico e com todos os recursos adequados para um atleta profissional. Pense num volante de verdade, tipo marcador que sustenta o setor de meio de campo e que protege os zagueiros, na linha dura dos combates.

Irão dizer vários nomes da atualidade, pois existem nas equipes de hoje o volante pelo centro, o volante pelo lado direito e pelo lado esquerdo. Não é assim? Agora, se voltarmos no tempo e lembrarmos de volantes que atuavam “a sós”, com dois meias de ligação – outros tempos –, iremos lembrar de alguns como Caçapava, Andrade, Dunga, Falcão, entre outros, que marcavam tudo, até a subida dos laterias (alas) adversários.

Mas se falarmos em cão de guarda, protetor, com habilidade no desarme e com visão de saída de jogo, eu lembro de Doraci Lima do Santos, o Dora do Xavante, em 1985. E não se trata de uma recordação de uma noite de extrema inspiração. Recordo de vários embates contra os melhores do país.

Dora era elegante, firme, sem violência e de uma garra invejável. Não tenho dúvida, e falo isso sem saudosismo, que se Doraci – o camisa 5 que encantou João Saldanha – estivesse no mercado atual, com aquela bola do passado, estaria no mais alto nível do regime esportivo e financeiro. Dora, em seu tempo, apagou o brilho de Zico para todo o país e todo o mundo.

Doraci era um filho emprestado da Princesa. Um filho que optou por Pelotas, que sabia segurar valores na profissão que optou após a bola e que sempre foi de um valor imenso no convívio do mundo esportivo, dos boleiros, com quem muito conviveu.

Fonte: Colecionador Xavante

Ainda no dia 5 de dezembro passado, estava cheio de vida no Multiesporte 2018, com os camisas 5, que também marcaram época na cidade e na história do nosso futebol.

Doraci simplesmente parou Zico, o melhor meia de ligação e criação de seu tempo. Em uma das vezes que fez isto, foi com 22 mil xavantes cantando o seu nome; Baixada completamente lotada, inesquecível.

Meu respeito e admiração aos vários camisas 5 que atuaram no futebol de Pelotas neste mais de 100 anos de futebol. Mas tenho orgulho em dizer: tive o privilégio de vê Doraci jogar. Muito. E tive o privilégio de conviver e admirar essa figura extremamente simples e que sabia como poucos atuar de primeiro e único volante.

Outros tempos.

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