Evaldo (primeiro à esquerda) com seus jovens atletas (Foto: arquivo pessoal)

Mais de 4.000 km separam Pelotas de Russas, no Ceará. Uma distância enorme, mas que parece diminuir graças a um time desta longínqua cidade cearense: a Escolinha Evaldo Leão.

Administrada pelo ex-lateral-esquerdo xavante Evaldo, que passou pelo Brasil entre 2005 e 2008, a equipe de base bem que poderia ser uma filial rubro-negra no Ceará. Afinal, basta passar o olho pelo escudo da escolinha para entender que lá habita um antigo (e hoje torcedor) xavante. Mas, semelhanças à parte, os dois times não têm nada oficialmente em comum. “Estamos trabalhando para revelar garotos para o futebol e quem sabe fazer mais parcerias pelos clubes onde passei. O Brasil é uma ideia, mas ainda tenho receio por ser muito longe. A gente que é adulto sente falta da família, esses garotos então…”, comenta o ex-jogador, hoje com 45 anos, ao Rede Esportiva.

Foto: arquivo pessoal

Dessa forma, resta a Evaldo carregar o Xavante no peito. “Na hora que eu fui fazer o projeto, estava em dúvida se colocava um símbolo diferente ou um símbolo de algum clube que passei. Só que o Brasil tava sempre na frente, né? Um colega meu, chamado Pablo Chagas, muito meu amigo e que converso quase todos dias, pediu para eu fazer essa homenagem. Coloquei e tenho o maior orgulho”, afirma. O porquê de tanto orgulho, ele explica: “O Brasil tem uma vantagem enorme na frente dos outros clubes porque tem a paixão. Os torcedores são diferenciados, e isso conquista a gente. A gente joga aí e se apaixona”, declara.

E a recíproca parece ser verdadeira. De acordo com Evaldo, o carinho que tem pelo xavante parece ser retribuído pela torcida. “Sempre estou no Facebook e no WhatsApp falando com os torcedores. Eu me sinto feliz porque sempre lembram de mim e comentam que tive uma passagem muito boa, até me citam como melhor lateral que passou na Baixada”, diz, orgulhoso.

Retorno ao Bento Freitas?

Evaldo lembra com precisão o dia que chegou a Pelotas: 13 de dezembro de 2004. E também o que jogou pelo clube: “Disputei o Gauchão 2005 e a Copinha, em 2006 o Gauchão e a Série C, em 2007 disputei o Gauchão e a Copa, na qual chegamos até a final contra o Caxias e, em 2008, disputei o Gauchão e depois acabei saindo para disputar o Cearense. Depois, retornei a Santa Catarina”, recorda.

A volta ao Bento Freitas, porém, nunca mais aconteceu. “Não retornei a Pelotas, mas um dia vou. Este ano, talvez, no fim do ano”, diz, acrescentando: “É um sonho meu assistir um jogo lá na Garra, e um bocado de amigos está me esperando aí pra isso, pra gente torcer enlouquecido. Nossa, eu curti muito aquela Garra, já incentivou muito e incentiva muitos jogadores. Pretendo voltar pra assistir a um jogo agora no novo estádio, coisa mais linda que tá.”

Foto: arquivo pessoal

Até regressar a Pelotas, Evaldo foca no “Xavante” que está mais próximo. A própria escolinha. “Eu trabalho com 90 meninos e tenho um trabalho maior também na Areninha, um lugar para oito, nove na linha, com garotos de 14, 15 anos. Trabalho também em parceria com alguns clubes cearenses, já que hoje é difícil colocar um menino nesses clubes, porque já querem eles prontos. A Escolinha Evaldo Leão hoje tem quatro anos e só está crescendo. Tenho três meninos que são diferenciados. Estão comigo desde os sete anos e pretendemos levá-los para algum clube.”

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