Arte: Augusto Barros

Você pode estar achando estranho ler as minhas palavras neste espaço. Afinal, sou ligado ao Diário Popular. O que você não sabe é que escrever aqui, na verdade, é tão natural quanto nas páginas impressas do maior jornal da Região Sul.

Este site – ótimo, por sinal – foi criado por mim, juntamente com o Renan Silva, um dos atuais proprietários, Maurício Mesquita, Mateus Kerr e Michel Burkert, lá em 2011. Quando ajudei a idealizar o Rede Esportiva, ainda na faculdade de jornalismo da UCPel, sonhava em ter um espaço para escrever sobre tática. Foi no Rede que ensaiei os primeiros textos analíticos, mesmo que muito superficiais. De lá para cá o Rede Esportiva mudou, eu mudei, mas principalmente o futebol mudou.

É justamente neste momento que nos reencontramos. A partir desta terça a Agência MT90, proprietária do site, e eu vestimos a mesma camisa: a de analisar o futebol de uma maneira mais justa com os profissionais do esporte, e a de levar ao torcedor uma análise mais fiel possível sobre o jogo. Quer fazer parte disso? Então vem com a gente.

Apito inicial
O passo mais importante, e talvez o mais difícil, para começar a entender um jogo na sua totalidade é: não olhar para a bola! As ações decisivas dentro de um jogo muitas vezes acontecem fora do ângulo de visão de quem foca apenas nela. Seja um atacante arrastando um defensor para abrir espaço para a infiltração do companheiro, seja um reposicionamento de um volante na saída de jogo para gerar superioridade numérica.

O jogo de futebol é um gerar e resolver problemas constantemente. Em todos os momentos novas ações resultam em outras ações. E quem foca apenas na bola, perde grande parte da partida.

Vamos a um exemplo. Quem vê o primeiro gol do Brasil na vitória contra o Náutico, olhando apenas para a bola, vai observar o belo chute de longe e a curva que a bola fez para enganar o goleiro. Porém, a construção do gol foi muito além da finalização.

Após recuperar a bola, o Xavante formata a linha de defesa e retorna a bola até o goleiro. Quando essa bola é passada para Rafael, a linha defensiva abre imediatamente e Bruninho vem pelo centro para dar apoio na saída. Sousa, o outro volante, fica em diagonal, com o corpo projetado para o lado direito do campo. Quando Sousa recebe o passe de Bruninho, com apenas um toque ele consegue tirar a bola da pressão e fazê-la chegar a Rodrigo, na lateral.

Rodrigo consegue progredir até o campo ofensivo. Matheus Oliveira, escalado como ponta direita, acaba ocupando o espaço por dentro. A ideia é que o meia busque o espaço vazio às costas dos volantes. Mesmo não recebendo a bola, Matheus acaba gerando uma preocupação no adversário.

Simião, pela meia esquerda, faz o mesmo movimento. Busca os espaços nas costas do volante e gera preocupação ao adversário, fazendo a tarefa de fixar o rival. O volante do Náutico acaba indo em Simião e assim dá espaço e tempo suficiente para Sousa pensar, ajeitar o corpo e finalizar.

Outro movimento importante no lance – que só é possível notar se você não olhar para a bola – é do ponta Danilo. A missão do jogador xavante é ficar o mais aberto possível (gerando amplitude). Assim ele fixa o lateral do Náutico e faz a linha de defesa adversária alargar. O objetivo é abrir espaço para as infiltrações dos companheiros.

Serão essas análises que você verá neste espaço. A parceria com a MT90 tem esse objetivo: gerar conteúdos e ajudar em uma mudança de olhar no futebol de Pelotas.

Na rádio
Nesta quarta-feira, no Papo da Bola da Rádio Universidade, às 19h, estarei ao lado do analista de desempenho do Pelotas, Mateus Gonçalves, e do técnico Zeca Ferreira. Vamos falar de jornalismo e análise de desempenho, o quanto se completam e como ajudam a ter uma visão mais fiel ao jogo.

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