Foto: Max Peixoto / FGF

Artigo de Gustavo Passos Lapischies, convidado 

Estamos passando por uma pandemia mundial, em que tudo parou, e no mundo futebolístico não foi diferente. Grandes campeonatos com poderosos investimentos pararam e apenas começaram a voltar com seus jogos após existir um controle da pandemia no seu país.

No Brasil, caminhamos por um caminho totalmente reverso, no qual resolve-se caminhar, ao invés de frear o reinício do futebol. No momento em que a pandemia do coronavírus atinge talvez um de seus maiores picos, autoridades decidem por retornar o esporte, não se importando se ao lado do grande centro do futebol brasileiro, o Maracanã, estavam instalados dois hospitais de campanha.

Dias após dias, profissionais da saúde por ali corriam como zagueiros para impedir que seres humanos perdessem suas vidas. Os profissionais ficavam distantes de seus familiares, sem poder abraçar seus filhos, e ali ao lado o Fluminense colocava seu médico para levantar o troféu do segundo turno. Homenagem justa? Sim, com toda a certeza, porém se tivessem a intenção de mostrar preocupação com os médicos da linha de frente, não aceitariam a volta do futebol. Alguns dias após, o Flamengo comemorava o título carioca com abraços entre os atletas e membros de comissão, rasgando qualquer tipo de protocolo de distanciamento controlado.

Vamos falar do nosso estado, o Rio Grande do Sul, talvez um dos últimos a voltar com suas atividades futebolísticas, onde começará a ser permitido o treinamento dos atletas em grupos após testagem e mais testagem para garantir que o vírus não se propagasse.

Brasil e Pelotas foram os últimos a voltar a treinar, pois a prefeitura segurou as rédeas em um primeiro momento, porém logo cedeu à pressão, liberando os treinos.

No retorno do Gauchão, teríamos Gre-Nal e Bra-Pel, porém o prefeito de Porto Alegre negou a liberação para a realização do clássico Gre-Nal na cidade – o mesmo feito pela prefeita de Pelotas. E agora, seria o momento de cancelar a volta? Pois bem, a Federação empurrou o clássico Gre-Nal para Caxias e, seguindo os protocolos, Grêmio e Inter foram a Caxias, com delegações separadas em dois ônibus para “evitar contatos e aglomerações”. Chegou a ser cômico este protocolo, pois ao sair um gol a primeira reação dos atletas foi partir para o abraço.

Como justificativa pela volta dos campeonatos, estava o grande gasto das equipes por estarem paradas. Mas agora com a volta do campeonato, tem time de Pelotas mandando jogo em Lajeado e tem time de Erechim concentrado em Bento Gonçalves para toda competição.

Ressalto que não julgo o futebol como o vilão de tudo, e sim pergunto se no momento em que o vírus atinge grandes números de contágios e mortes, seria necessária esta volta?

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